apaguei o post sobre os testemunhos, já que o objetivo dele foi parcialmente mal entendido. não tem problema algum, no entanto, e precisava mesmo postar um anúncio de outra natureza por aqui.
é que, em julho deste ano, meu blog faz 3 anos. haverá uma cerimônia de rito de passagem (descobri amá-los) em que este aqui linguado encerrará suas atividades e dará lugar ao novo lococionário (sic).
achei por bem a pompa e a circunstância visitarem o que começou tão casualmente a pontuar momentos do tipo 'dor no joelho infantil'. é, dor de crescimento.
não que ela não vá mais existir, mas creio que é a hora de eu agir gravemente e dizer que meu próximo blog, esse sim, será super sério.
super hiper.
dou mais notícias oportunamente. desculpem a falta de paralelismo, eu gosto um pouco.
=*
segunda-feira, 4 de junho de 2007
sábado, 12 de maio de 2007
quinta-feira, 10 de maio de 2007
skewing the sky, still blue, sky
nas últimas duas semanas, tive sonhos do tipo compensatórios. (sic)
digam o que quiserem, nem sempre é assim, ao menos não tão declaradamente quanto os últimos.
mas a mente tem um pouco de deuses nela, mesmo que só a sombra, e ela é sábia quando realiza nos sonhos somente as coisas pequenas que deseja durante o dia. se compensasse as grandes coisas, talvez eu demoraria mais para dizer e assumir que o dia é minha oportunidade de fazer algo que, aos poucos, vá tornar meus sonhos menos compensatórios e mais suplementares.
nesse espaço entre parágrafos, pensei que talvez deva experimentar parar de expor meus comentários com o protagonista 'as pessoas'. terminava por levar as arengas para a generalização, dessa forma. ou pregação, o que é ainda mais periclitante. confesso que o usei muito ('as pessoas') por não querer que meu blog fosse um festival de 'eus'. mas enfim, é um maldito blog. ou bendito, que, além de tudo, é uma palavra mais agradável. ou era antes do nosso papa decimus sextus.
enfim, eu, meu modelo de resolução das coisas que tem surgido é disciplinado. organiza-se e quer ter metas. aquela antiga beleza que via na aleatoriedade e na indefinição mudou de ângulo. e, assim, pode entrar pela porta mais estreita dos meus perto de 30 anos. tornou-se não a beleza em si, mas uma parte dela necessária para que mudanças ocorram. a beleza em si é ela mesma, multi e inominada, maciça e pregnante. e sim, ela me acena com mais vigor por passos de precisão, acertos, cumprir depois de augurar, augúrios matemáticos e redondos. meu abraço cada vez mais segura aspirações de compromisso com etapas várias do caminho até a morte (quiçá depois: e não-linear muito embora ordenado), com decisões não-espúrias, disciplina muito saborosa e ainda mais que não ouso, agora, registrar aqui. e vive. essa é minha vida.
digam o que quiserem, nem sempre é assim, ao menos não tão declaradamente quanto os últimos.
mas a mente tem um pouco de deuses nela, mesmo que só a sombra, e ela é sábia quando realiza nos sonhos somente as coisas pequenas que deseja durante o dia. se compensasse as grandes coisas, talvez eu demoraria mais para dizer e assumir que o dia é minha oportunidade de fazer algo que, aos poucos, vá tornar meus sonhos menos compensatórios e mais suplementares.
nesse espaço entre parágrafos, pensei que talvez deva experimentar parar de expor meus comentários com o protagonista 'as pessoas'. terminava por levar as arengas para a generalização, dessa forma. ou pregação, o que é ainda mais periclitante. confesso que o usei muito ('as pessoas') por não querer que meu blog fosse um festival de 'eus'. mas enfim, é um maldito blog. ou bendito, que, além de tudo, é uma palavra mais agradável. ou era antes do nosso papa decimus sextus.
enfim, eu, meu modelo de resolução das coisas que tem surgido é disciplinado. organiza-se e quer ter metas. aquela antiga beleza que via na aleatoriedade e na indefinição mudou de ângulo. e, assim, pode entrar pela porta mais estreita dos meus perto de 30 anos. tornou-se não a beleza em si, mas uma parte dela necessária para que mudanças ocorram. a beleza em si é ela mesma, multi e inominada, maciça e pregnante. e sim, ela me acena com mais vigor por passos de precisão, acertos, cumprir depois de augurar, augúrios matemáticos e redondos. meu abraço cada vez mais segura aspirações de compromisso com etapas várias do caminho até a morte (quiçá depois: e não-linear muito embora ordenado), com decisões não-espúrias, disciplina muito saborosa e ainda mais que não ouso, agora, registrar aqui. e vive. essa é minha vida.
terça-feira, 8 de maio de 2007
sky blue sky
voltei pra casa de ônibus no começo da noite, passei por dois descampados. nas duas vezes o céu me fez andar com a boca aberta e o perigo iminente de tropeçar ou engolir mosquito. sem contar o de ser abocanhada por algum malfeitor escondido em moita. adoraria poder caminhar mais à noite.
quando passei pelo primeiro descampado, estava escutando o sky blue sky do wilco, e pela primeira vez gostei muito que doeu. nels cline reafirma-se como um dos meus guitarristas atuais preferidos.
quando passei pelo segundo, estava com cat power, escutando o the greatest.
não dá pra dizer. não dá, eu tento, mas é complicado. sabe, às vezes queria que alguém entrasse dentro de mim quando passo por esses momentos. só pra saber como é. sem sexual innuendo, por favor. ao menos em princípio.
porque quando o céu é límpido assim, me dá aquela velha sensação já tão descrita aqui de morar no universo, e o universo sendo um poço de limpidez azul escura com estrelinhas, mas estrelinhas bonitas de verdade, não essas que a gentarada tatua por aí. e com nuvens de vapores. e a lua, etc e tal.
mas é bom estar na terra e não flutuando por lá, porque se pode contrastar o sky blue sky com verdes e chãos, e músicas. mas um dia, quem sabe, nem disso vou sentir falta.
p.s.: outro dia foi parhelia no fim da tarde, mas esse tirei foto e não escrevi nada. aliás, o fenômeno parhelia é muito interessante, quem quiser, google it.
quando passei pelo primeiro descampado, estava escutando o sky blue sky do wilco, e pela primeira vez gostei muito que doeu. nels cline reafirma-se como um dos meus guitarristas atuais preferidos.
quando passei pelo segundo, estava com cat power, escutando o the greatest.
não dá pra dizer. não dá, eu tento, mas é complicado. sabe, às vezes queria que alguém entrasse dentro de mim quando passo por esses momentos. só pra saber como é. sem sexual innuendo, por favor. ao menos em princípio.
porque quando o céu é límpido assim, me dá aquela velha sensação já tão descrita aqui de morar no universo, e o universo sendo um poço de limpidez azul escura com estrelinhas, mas estrelinhas bonitas de verdade, não essas que a gentarada tatua por aí. e com nuvens de vapores. e a lua, etc e tal.
mas é bom estar na terra e não flutuando por lá, porque se pode contrastar o sky blue sky com verdes e chãos, e músicas. mas um dia, quem sabe, nem disso vou sentir falta.
p.s.: outro dia foi parhelia no fim da tarde, mas esse tirei foto e não escrevi nada. aliás, o fenômeno parhelia é muito interessante, quem quiser, google it.
terça-feira, 17 de abril de 2007
coisas que impedem a postagem
questões que sempre me acometeram concernentes ao escrevimento de blog.
aí:
• como criticar sem parecer recalque?
• como manifestar uma insatisfação geral e não parecer específica?
• como alimentar um blog que é pessoal e não quer ser superexposto?
interessante como nossa vida individualista (segundo já discuti um pouco em outros posts) também tende a direcionar reclamações a especificidades, e a condenar críticas diretas. elaboro: se posto um poema da adélia como o do post abaixo, pode parecer que de fato estou chorando ou esperando um 'ele' específico. nenhuma das duas afirmações é verdadeira. ambas são específicas. o efeito mais geral do poema, no entanto, é bem mais rico do que isso e responde melhor ao que eu gostaria de expressar. outra: se tenho uma crítica a fazer sobre o comportamento de um grupo de pessoas (seja lá o tamanho, pode ser uma dupla de amigos ou a sociedade ocidental... ou os representantes de um gênero), o fato de ser uma crítica por si só muitas vezes qualifica o proponente de recalcado. claro, às vezes existem outras razões para que seja rotulado dessa forma. mas sim, nossos indivíduos não estão abertos a críticas, seja a eles mesmos seja àqueles que lhe são semelhantes.
está aberta a discussão.
aí:
• como criticar sem parecer recalque?
• como manifestar uma insatisfação geral e não parecer específica?
• como alimentar um blog que é pessoal e não quer ser superexposto?
interessante como nossa vida individualista (segundo já discuti um pouco em outros posts) também tende a direcionar reclamações a especificidades, e a condenar críticas diretas. elaboro: se posto um poema da adélia como o do post abaixo, pode parecer que de fato estou chorando ou esperando um 'ele' específico. nenhuma das duas afirmações é verdadeira. ambas são específicas. o efeito mais geral do poema, no entanto, é bem mais rico do que isso e responde melhor ao que eu gostaria de expressar. outra: se tenho uma crítica a fazer sobre o comportamento de um grupo de pessoas (seja lá o tamanho, pode ser uma dupla de amigos ou a sociedade ocidental... ou os representantes de um gênero), o fato de ser uma crítica por si só muitas vezes qualifica o proponente de recalcado. claro, às vezes existem outras razões para que seja rotulado dessa forma. mas sim, nossos indivíduos não estão abertos a críticas, seja a eles mesmos seja àqueles que lhe são semelhantes.
está aberta a discussão.
segunda-feira, 9 de abril de 2007
A serenata
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Adélia Prado
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Adélia Prado
quinta-feira, 5 de abril de 2007
ainda malcriada
hoje fiz uma torta de ratatouille com cream cheese e massa integral com castanha de caju e ainda por cima pus a mesa e lavei a salada e ninguém veio almoçar!
bastardos!
não gosto de cozinhar pra fantasma!
=D
bastardos!
não gosto de cozinhar pra fantasma!
=D
segunda-feira, 2 de abril de 2007
profecia malcriada do dia
não adianta ser legal, ser o máximo, ser exemplar.
se você, MULHER, está numa relação (seja de um dia seja de anos) com um homem, vai sempre estar em posição de desvantagem. quero dizer, no relacionamento. mas, é claro, pode sempre ser uma pessoa que mantém suas próprias vantagens.
ele vai sempre ter mais boa vontade com os amigos. vai ter coragem de ter sentimentos pelos amigos. até pelo cachorro. mas por você, vai se borrar. você vai ser sinônimo de fardo, mesmo nas horas boas. elas serão interpretadas como um problema, pois se ele ficar mal-acostumado, pode acabar se comprometendo de verdade.
aquelas meninas desinteressantes de repente vão ter alguma coisa que o instiga.
ele vai se sentir nobre, no entanto, ao lhe deixar e dizer que foi melhor assim, que ele não te faz bem.
e quando eles lerem posts do teor deste, ou ouvirem isso pelo telefone, vão achar que você é desesperada. não vão considerar a possibilidade de você saber estar bem sozinha, mas querer lutar por melhores condições quando não estiver sozinha.
qualquer conversa sobre isso será desespero. será carência, na visão deles.
é assim: o mundo tá aí sofrendo consequências da ordem mundial e quem quer lutar contra isso é chamado de ecochato. pois bem. os relacionamentos também estão uma bela merda e quem quer lutar contra isso é chamado de carente.
se você, MULHER, está numa relação (seja de um dia seja de anos) com um homem, vai sempre estar em posição de desvantagem. quero dizer, no relacionamento. mas, é claro, pode sempre ser uma pessoa que mantém suas próprias vantagens.
ele vai sempre ter mais boa vontade com os amigos. vai ter coragem de ter sentimentos pelos amigos. até pelo cachorro. mas por você, vai se borrar. você vai ser sinônimo de fardo, mesmo nas horas boas. elas serão interpretadas como um problema, pois se ele ficar mal-acostumado, pode acabar se comprometendo de verdade.
aquelas meninas desinteressantes de repente vão ter alguma coisa que o instiga.
ele vai se sentir nobre, no entanto, ao lhe deixar e dizer que foi melhor assim, que ele não te faz bem.
e quando eles lerem posts do teor deste, ou ouvirem isso pelo telefone, vão achar que você é desesperada. não vão considerar a possibilidade de você saber estar bem sozinha, mas querer lutar por melhores condições quando não estiver sozinha.
qualquer conversa sobre isso será desespero. será carência, na visão deles.
é assim: o mundo tá aí sofrendo consequências da ordem mundial e quem quer lutar contra isso é chamado de ecochato. pois bem. os relacionamentos também estão uma bela merda e quem quer lutar contra isso é chamado de carente.
sábado, 31 de março de 2007
surgir de novo
depois de terminar. nesse sentido, o verbo cognato em inglês tem carga mais certeira: to terminate. cessar.
auto-cessar, depois surgir de novo, isso que quis dizer. ainda com o momentum do purgatório, tudo se mexendo como fosse para sempre imitar passos, ritmos do antes. tudo embaraçado, em busca de arejar, de chão.
encontrar a força da leveza, como queria gilbert keith, é sempre uma delícia. uma lindeza. encontrá-la confirmada em feições, dentes e mãos. os dois primeiros, reconhecidos, as últimas, reencontradas.
adendo de última hora: e cessar novamente. em automática rejeição de mãos, olhos e, principalmente, dentes.
fedem.
auto-cessar, depois surgir de novo, isso que quis dizer. ainda com o momentum do purgatório, tudo se mexendo como fosse para sempre imitar passos, ritmos do antes. tudo embaraçado, em busca de arejar, de chão.
encontrar a força da leveza, como queria gilbert keith, é sempre uma delícia. uma lindeza. encontrá-la confirmada em feições, dentes e mãos. os dois primeiros, reconhecidos, as últimas, reencontradas.
adendo de última hora: e cessar novamente. em automática rejeição de mãos, olhos e, principalmente, dentes.
fedem.
terça-feira, 20 de março de 2007
tem alguma coisa nessas entrelinhas? (is there anybody in there?)
Às vezes fico paralisada por perceber que sinto coisas padrão sobre relacionamentos e gostar de alguém. Tenho vergonha de sentir certas vontades.
O que será que realmente acontece com as pessoas que se distanciam desses sentimentos? Será que conseguiram se soltar da influência de meios de comunicação e afins ou será que sofrem uma deficiência emocional?
Por que preciso inclusive ter esse questionamento? Relacionar-se poderia ser uma coisa tão natural, tão benfazeja. Poderia não requerir nem o uso da palavra 'sentimento', de tão natural. E sei que muitas pessoas por aí também sentem culpa pela própria indulgência com romances.
Conheço muita gente que não se apaixona. Daria tudo pra saber como é isso. Já achei que fosse assim, mas não era. Não sei se abraçaria a causa, mas gostaria de genuinamente entender o mecanismo.
Parece tão estúpido que, mesmo me decepcionando com as pessoas diariamente, ainda seja capaz de querê-las por perto, algumas quero tanto que fico sem graça.
Entendo a vontade de ter espaço e ficar sozinho. Aliás, preciso disso muito também, e não acho que exclui relacionamentos. Então não é essa a resposta para não se apaixonar. Gostar de ficar sozinho.
Ao mesmo tempo também não entendo quem se apaixona meio incondicionalmente por aparências, estereótipos. Nem vou comentar essa parte.
E acho muito, muito esquisito como existem pessoas imensamente apaixonáveis por aí que acabam sempre sozinhas.
O que acontece com o mundo dos relacionamentos? É ridículo?
É a coisa mais assustadora de que se tem notícia?
Na verdade, embora pareça o contrário, estou falando de qualquer relacionamento, qualquer forma de paixão. Seja coisa familiar, ou de amizade, ou de formar casal, ou por uma idéia, enfim, qualquer uma. E não estou falando de impulsividade, muito embora seja difícil descrever em palavras a diferença entre um movimento apaixonado e um impulso ensaiado. Sim, ensaiado pela grande influência do comportamento que se espera, do que se vende na mídia, do que é mais fácil, do que é mais aceito. Me cutuquem para mais sobre isso, se for o caso. Também não posso largar a questão assim, sem mais.
Repetindo: o que acontece com o mundo de relacionar-se?
Será que ruiu porque as pessoas não se aguentam mais? A não ser por muito pouco tempo, ou com pouco contato?
O que acontece com as pessoas? São chatas? Não produzem mais nada interessante? Não se comunicam mais porque não têm o que comunicar?
Não deixam outras olharem fundo porque elas mesmas não querem olhar fundo e ver que não existe nada lá dentro?
O que existe mesmo por detrás da janela do browser no orkut? Por detrás do discurso do msn, do papo-água das festinhas, dos artigos e desabafos em blogs, das matérias de revista, das conversas casuais no elevador, dos comentários sobre filmes, das roupas e sapatos, dos top 10, dos set lists, dos depoimentos, dos copos de cerveja, das escolhas de carreira, das decisões de vida adulta, das fotografias, do que convencionalmente se chama arte...?
Espírito? Existe isso ainda?
•
as entrelinhas por aí estão endurecidas, e não quero dizer só na literatura barata. dói tanto, as entrelinhas do mundo não vibram. quem se dispõe a polir?
será que estou querendo heroísmo e não o fim a que se destina o ato heróico? tem diferença? quem quer que eu pare de fazer perguntas?
=D
O que será que realmente acontece com as pessoas que se distanciam desses sentimentos? Será que conseguiram se soltar da influência de meios de comunicação e afins ou será que sofrem uma deficiência emocional?
Por que preciso inclusive ter esse questionamento? Relacionar-se poderia ser uma coisa tão natural, tão benfazeja. Poderia não requerir nem o uso da palavra 'sentimento', de tão natural. E sei que muitas pessoas por aí também sentem culpa pela própria indulgência com romances.
Conheço muita gente que não se apaixona. Daria tudo pra saber como é isso. Já achei que fosse assim, mas não era. Não sei se abraçaria a causa, mas gostaria de genuinamente entender o mecanismo.
Parece tão estúpido que, mesmo me decepcionando com as pessoas diariamente, ainda seja capaz de querê-las por perto, algumas quero tanto que fico sem graça.
Entendo a vontade de ter espaço e ficar sozinho. Aliás, preciso disso muito também, e não acho que exclui relacionamentos. Então não é essa a resposta para não se apaixonar. Gostar de ficar sozinho.
Ao mesmo tempo também não entendo quem se apaixona meio incondicionalmente por aparências, estereótipos. Nem vou comentar essa parte.
E acho muito, muito esquisito como existem pessoas imensamente apaixonáveis por aí que acabam sempre sozinhas.
O que acontece com o mundo dos relacionamentos? É ridículo?
É a coisa mais assustadora de que se tem notícia?
Na verdade, embora pareça o contrário, estou falando de qualquer relacionamento, qualquer forma de paixão. Seja coisa familiar, ou de amizade, ou de formar casal, ou por uma idéia, enfim, qualquer uma. E não estou falando de impulsividade, muito embora seja difícil descrever em palavras a diferença entre um movimento apaixonado e um impulso ensaiado. Sim, ensaiado pela grande influência do comportamento que se espera, do que se vende na mídia, do que é mais fácil, do que é mais aceito. Me cutuquem para mais sobre isso, se for o caso. Também não posso largar a questão assim, sem mais.
Repetindo: o que acontece com o mundo de relacionar-se?
Será que ruiu porque as pessoas não se aguentam mais? A não ser por muito pouco tempo, ou com pouco contato?
O que acontece com as pessoas? São chatas? Não produzem mais nada interessante? Não se comunicam mais porque não têm o que comunicar?
Não deixam outras olharem fundo porque elas mesmas não querem olhar fundo e ver que não existe nada lá dentro?
O que existe mesmo por detrás da janela do browser no orkut? Por detrás do discurso do msn, do papo-água das festinhas, dos artigos e desabafos em blogs, das matérias de revista, das conversas casuais no elevador, dos comentários sobre filmes, das roupas e sapatos, dos top 10, dos set lists, dos depoimentos, dos copos de cerveja, das escolhas de carreira, das decisões de vida adulta, das fotografias, do que convencionalmente se chama arte...?
Espírito? Existe isso ainda?
•
as entrelinhas por aí estão endurecidas, e não quero dizer só na literatura barata. dói tanto, as entrelinhas do mundo não vibram. quem se dispõe a polir?
será que estou querendo heroísmo e não o fim a que se destina o ato heróico? tem diferença? quem quer que eu pare de fazer perguntas?
=D
segunda-feira, 19 de março de 2007
homenagem aos mini-suicidios
e depois da morte, um mundo novo-velho.
colhido da vida, mas sempre sobrenatural...
de dia, desmembramento. de noite, a verdadeira reação, nos sonhos.
a eles:
(akron/family)
"Thinking of you
There's lightning bolts in my chest
I know you know
I think our love is the best
If you have to stay
I'll be on the water
Catching the next wave
You can meet me where it breaks
Dream, dream, dream
Dream, dream, dream"
(para uma idéia auditiva do que estou querendo dizer, vá até minha página no last.fm e escute a minha playlist 'homenagem para os pequenos suicídios')
colhido da vida, mas sempre sobrenatural...
de dia, desmembramento. de noite, a verdadeira reação, nos sonhos.
a eles:
(akron/family)
"Thinking of you
There's lightning bolts in my chest
I know you know
I think our love is the best
If you have to stay
I'll be on the water
Catching the next wave
You can meet me where it breaks
Dream, dream, dream
Dream, dream, dream"
(para uma idéia auditiva do que estou querendo dizer, vá até minha página no last.fm e escute a minha playlist 'homenagem para os pequenos suicídios')
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
argumento
nas bordas da boca, as palavras quase cessavam. já se iam a despedir, talvez impelidas pela forte pressão de um emaranhado que subia sem mais barreiras. e era esse o argumento, o que não se sabe se perdido ou ainda quase encontrado.
era o emaranhado de reconhecimento a emergir quando não mais se precisaria de argumentos, quando as bordas já eram portas abertas, e soavam como despedida.
foi aí, ainda na segurança dos lábios, que aconteceu o discurso amoroso final, de um fim entre muitos possíveis, com augúrios de muitos começos também possíveis. e esse discurso não veio mais em forma de jatos de palavras, mas veio em forma de nu, sem proteção, possivelmente muito parecido ao que era quando nasceu.
e refletia luz. e arrancava vestígios corporais. e introduzia contato ritmado. e entregava presentes. e também os olhares mais mortificantes de que se teve notícia. sim, era o discurso mais bonito de que se teve notícia.
...e agora só me resta repetir aqui algo que diz isso muito melhor, paul celan mais uma vez:
ELOGIO DA DISTÂNCIA
Na fonte dos seus olhos,
vivem redes de pescadores de um mar demente.
Na fonte dos seus olhos,
O mar mantém sua promessa.
Aqui lanço,
coração que viveu entre os homens,
minhas vestes, e o brilho de um juramento:
Mais negro em meio ao negro, mais estou nu.
Somente renegado sou fiel.
Eu sou você quando eu sou eu.
Na fonte dos seus olhos
derivo e sonho com o saque.
uma rede prendeu-se a outra rede:
separamo-nos envolvidos.
Na fonte dos seus olhos
um enforcado estrangula a corda.
Trad. Adalberto Müller
era o emaranhado de reconhecimento a emergir quando não mais se precisaria de argumentos, quando as bordas já eram portas abertas, e soavam como despedida.
foi aí, ainda na segurança dos lábios, que aconteceu o discurso amoroso final, de um fim entre muitos possíveis, com augúrios de muitos começos também possíveis. e esse discurso não veio mais em forma de jatos de palavras, mas veio em forma de nu, sem proteção, possivelmente muito parecido ao que era quando nasceu.
e refletia luz. e arrancava vestígios corporais. e introduzia contato ritmado. e entregava presentes. e também os olhares mais mortificantes de que se teve notícia. sim, era o discurso mais bonito de que se teve notícia.
...e agora só me resta repetir aqui algo que diz isso muito melhor, paul celan mais uma vez:
ELOGIO DA DISTÂNCIA
Na fonte dos seus olhos,
vivem redes de pescadores de um mar demente.
Na fonte dos seus olhos,
O mar mantém sua promessa.
Aqui lanço,
coração que viveu entre os homens,
minhas vestes, e o brilho de um juramento:
Mais negro em meio ao negro, mais estou nu.
Somente renegado sou fiel.
Eu sou você quando eu sou eu.
Na fonte dos seus olhos
derivo e sonho com o saque.
uma rede prendeu-se a outra rede:
separamo-nos envolvidos.
Na fonte dos seus olhos
um enforcado estrangula a corda.
Trad. Adalberto Müller
intermezzo
ouvi dizer que as horas que precedem um suicídio revelam momentos de extremo egocentrismo. o que é o exato contrário de uma crença putativa em que os pré-suicidas, nos seus últimos atos banais, são cheios de compaixão e interesse pelo Outro.
antes de deliberadamente incorrer em 'pequenos' suicídios, tais como: mudar de carreira, terminar um relacionamento, sair da casa dos pais, perceber um erro e tomar providências, enfim, todas essas coisas que se realizam como transfigurações pessoais, hão de existir interessantes momentos elusivos, difíceis de capturar e classificar.
pessoalmente, acho que essa zona cinzenta entre a tomada de decisão, o preparo da cena e o ato, não comporta nenhum dos dois extremos mencionados. acho que até naqueles mais auto-centrados, é muito possível que se desperte um sentimento misto, sem fronteiras precisas, que até sufoca, de que aquele gesto é em benefício geral.
penso isso porque o gosto do depois, os vestígios do que se fez, pra mim recendem a, citando o post abaixo, peito aberto espalhado.
por isso, este post está assim, entre dois outros dedicados talvez com má pontaria, porém dedicados.
antes de deliberadamente incorrer em 'pequenos' suicídios, tais como: mudar de carreira, terminar um relacionamento, sair da casa dos pais, perceber um erro e tomar providências, enfim, todas essas coisas que se realizam como transfigurações pessoais, hão de existir interessantes momentos elusivos, difíceis de capturar e classificar.
pessoalmente, acho que essa zona cinzenta entre a tomada de decisão, o preparo da cena e o ato, não comporta nenhum dos dois extremos mencionados. acho que até naqueles mais auto-centrados, é muito possível que se desperte um sentimento misto, sem fronteiras precisas, que até sufoca, de que aquele gesto é em benefício geral.
penso isso porque o gosto do depois, os vestígios do que se fez, pra mim recendem a, citando o post abaixo, peito aberto espalhado.
por isso, este post está assim, entre dois outros dedicados talvez com má pontaria, porém dedicados.
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