sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

paranoia

foram vistos, mas não fizeram contato.
que bom.

como afastá-los nunca aprendeu em noites maldormidas, há muitos anos.
mas o fato é que, de própria vontade, nem sempre se aproximam, não mordem sem serem atiçados e nem necessariamente latem.

os que viu ontem faziam inspeção, ligeiramente divertidos. pastavam novidades na ronda de todas as noites.

é assim: quando se deixa escurecer, vêm os bichos, mas que se confie neles. podem ser a própria discrição.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

presente de grego

ganhei um cavalo de tróia: virei mãe dos meus irmãos e até mesmo dos pais.
de ser mãe de amigos já abdiquei.
é engraçado, no início pareceu prazeroso, acho que pela perspectiva de ser útil e, principalmente, RECONHECIDA.
e tome peia.

este post não começou sutil e nem vai se transformar. é isso mesmo... quero independência!
não gostei de passar direto de ser dependente para ter gente dependendo de mim.

um comentário pra quem quiser ter filhos: sua casa vai ser sempre suja, eles vão sumir, vão largar vestígios em todo lugar mas não nos lugares certos, e se forem seus filhos você vai continuar amando, possivelmente. agora, se for ser mãe ou pai dos irmãos, prepare-se para perder a paciência profundamente e revelar o seu pior lado, aquele com o qual você tem pesadelos e pelo qual pode se perder em culpa.

alguém me leva pra fazer merda? fugir de casa? ter coma alcoólico? ser ganha pela polícia? montar uma banda com músicas idiotas?

ou só me dá um emprego aí por favor. tou pedindo nada, vai.

=)

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

se fosse anjo

te diria que:
– ser gente é correnteza.

onde o chão encontra vento, porque a água que corre também se entranha. a mão que leva embora se deixa acolher.
purgatório em constante nutrição.
enquanto passa, revolve, mas também sedimenta.
tem a fúria de matar, na intensidade da ternura de conceber.

motos quase distintos, que eternos, juntos a abrir caminhos.
a refrescar.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

ontem me disseram que podia me chamar alice.

cool train, tia alice, proximidade e constância.

a réplica: tenho cara de maíra. o pensamento: gosto de alice.

enquanto escrevo isto, toca, de surpresa, a música

de alice,

THIS TRAIN!


(haha!)

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Releitura de Adélia

Através da janela, não matéria, o esperado.
O inesperado: amor é visto, em seu oco.
Enxergam não as órbitas, mas o espírito:
Se é espírito, compreende.
O visto, oco do oco:
Deseja a planta-corrente
Assear, afagar, do chão ao paraíso.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

C era un ragazzo

Que escreveu sua deposição no dia primeiro da andata, no questions asked. Me deu um presente, assim. That's when the levee breaks, aham. Coisas raras, muito raras. Não me ocorre sempre, aliás, quase nunca: o reverso, sim. Deponho eu, com freqüência.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Nem todas as vitórias do mundo encontram abrigo do esquecimento nos intervalos de luz e sombra a quem acompanho.

São pontos de convergência de muito do que sou e não me permito saber. Captam a todo instante e daí vem minha casa, onde estou mergulhada: estática. Deles, sou zona de ressonância, estou entre os trilhos, a respirar.

Sou a pregnância, eles o filho sentado à direita.

Minha paixão em quantas instâncias acontecerá? Já se iniciou? Carrego os estigmas, quando quase cicatrizes, deponho.
Abrem-se novamente quando a sombra aparece, minha e deles, e a luz vai direcionada a outrem. A estiagem vem em seguida quando da memória ilumino a mim mesma, a saber que um segundo é expressão menor do infinito.

Eles, a quem golpeio amorosamente, participam da desfragmentação que trabalha em múltiplos pólos. Magnética: une, organiza, produz eternidade.
Que saudade daqueles posts cheios de epifanias e arrebatamentos... O da delicadeza foi um dos melhores.

Nem comemorou-se o aniversário de dois anos deste blog; aconteceu quando estava chegando da Europa, no meio do redemoinho.

Então, este fica sendo mais um daqueles posts levemente burocráticos, feitos para tentar reavivar as coisas por aqui.

Lista das 5 coisas mais interessantes que vi/ouvi nos últimos dias:

1. No Direction Home, documentário do Scorcese sobre o Bob Dylan
2. Kinsey, um filme sobre a natureza polígama do ser humano
3. Umas coisas velhas e engraçadas que escrevi há uns 3, 4 anos; e outras nem tanto
4. Que uma banana é 65% humana
5. Mais um belo álbum da Sra. Coltrane (chama-se Translinear Light)

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

http://www.beliefnet.com/story/194/story_19451_1.html?source=context&campaign=086&medium=PPC&nopop=1&WT.mc_id=CONED3086&WT.srch=1

uma das coisas mais estúpidas que já li na vida.

terça-feira, 22 de agosto de 2006

nostalgia

desde que cheguei não estou em lugar nenhum.
aliás, desde milão, comecei a flutuar, mas estava dupla. deixei metade em algum lugar, uma toscana misturada, real e invisível.
pousar não foi possível, o chão em pedaços tornou-se eco.
flutuo, escuto.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

em defesa da multidisciplinaridade

um dos conceitos mais interessantes de que tomei conhecimento recentemente foi o da metáfora como linguagem da natureza, proposto por Gregory Bateson.
é mais um daqueles que estava na ponta da língua de todo mundo que se pergunta questões importantes, mas ninguém ainda havia tido o desprendimento de dizer tão diretamente.
algumas vezes, as pessoas tomam decisões por motivos considerados ulteriores à questão "pertinente"; o resultado pode ser favorável ou desfavorável no início mas que leva a algo inesperadamente melhor. talvez tais pessoas hajam experimentado um insight ao estilo arquimedeano por haverem-se conservado atentas a tudo o que lhes acontece, por possuirem poder de concentração maior do que imaginam. ou seja, algum motivo aparentemente disparatado, e até caprichoso, pode ativar mecanismos de memória de causa e efeito, armazenados no inconsciente, que são a chave para alguma situação.
resumindo: qualquer coisa na natureza pode ser uma metáfora para qualquer coisa na natureza. trabalhamos, seres vivos, com um número limitado de códigos, limitado porém capaz de inúmeras combinações. é o que parece.
por isso, manter-se consciente daquilo que se faz ajuda a aumentar o vocabulário de combinações possíveis, nunca se sabe, em algum momento uma chave em potencial pode ser fundamental para decodificar problemas que se nos apresentam.
creio que é mais um argumento a se explorar continuamente para o mundo.
para mim, confesso que, além dessa razão mais importante, é também algo a mais que consegui acumular para corroborar minha tão conflitante tendência multidisciplinar. nessas alturas, creio que seja mesmo omnidisciplinar...!!
pretensão, é, um pouco. mas não perco o ponto: cada vez mais é o alvo.
quanto maior o espectro, menor a persona, espero.
enfim, explico: é que tudo isso parece mostrar que aqueles que têm em si essa multidisciplinaridade são os que mais acordam para as metáforas da natureza. transitam, portanto, com maior ou menor grau de liberdade entre os compartimentos da ciência e das artes que nós, pessoas, criamos.
me parece humano, me parece natural e justificável.
alguém me disse esses dias que mudar é o que caracteriza o homem. digo assim: é o que caracteriza o espírito; quem não muda, está a constranger o seu e, consequentemente, o de todos.

terça-feira, 9 de maio de 2006

ancoragem

é claro que, neste mundo material, não há possibilidade de erradicar 100% a personalidade. mas livrar-se de achar isso objeto de cultivo, aí sim, quero. a satisfação virá de outras formas, não pela corroboração de um castelo de individualidades de que eu possa me orgulhar.
acredito, no entanto, que nosso processo de evolução é individual, sim. mas acho que se dá no âmbito do coletivo, sempre. a visar o coletivo.

então, vejo que parece ser mesmo que nem yin-yang.
a lógica é maravilhosa, mas precisa da âncora que é o sentimento. pra não cair no fetiche...
a abnegação é algo a se buscar, mas precisa da âncora da personalidade, neste mundo. é o único jeito de ser, aqui.
o coletivo é uma meta, mas o individual é a âncora para entender o processo.

pois é. sempre um pingo de uma coisa no meio da outra, será?

sábado, 6 de maio de 2006

desfazer a personalidade

hoje disse algo importante sem prever antes que diria. sem ter notado que era assim: estou indo embora não pra me encontrar, mas pra me perder.

esse encontro marcado e perdido é indício de adolescência que esteve ali, é aquela coisa no armário de que normalmente não se consegue desfazer.

isso, sim: perder. ficar sem nada, até sem o pronome, mas ao mesmo tempo com tudo.