te diria que:
– ser gente é correnteza.
onde o chão encontra vento, porque a água que corre também se entranha. a mão que leva embora se deixa acolher.
purgatório em constante nutrição.
enquanto passa, revolve, mas também sedimenta.
tem a fúria de matar, na intensidade da ternura de conceber.
motos quase distintos, que eternos, juntos a abrir caminhos.
a refrescar.
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
Releitura de Adélia
Através da janela, não matéria, o esperado.
O inesperado: amor é visto, em seu oco.
Enxergam não as órbitas, mas o espírito:
Se é espírito, compreende.
O visto, oco do oco:
Deseja a planta-corrente
Assear, afagar, do chão ao paraíso.
O inesperado: amor é visto, em seu oco.
Enxergam não as órbitas, mas o espírito:
Se é espírito, compreende.
O visto, oco do oco:
Deseja a planta-corrente
Assear, afagar, do chão ao paraíso.
segunda-feira, 9 de outubro de 2006
C era un ragazzo
Que escreveu sua deposição no dia primeiro da andata, no questions asked. Me deu um presente, assim. That's when the levee breaks, aham. Coisas raras, muito raras. Não me ocorre sempre, aliás, quase nunca: o reverso, sim. Deponho eu, com freqüência.
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
Nem todas as vitórias do mundo encontram abrigo do esquecimento nos intervalos de luz e sombra a quem acompanho.
São pontos de convergência de muito do que sou e não me permito saber. Captam a todo instante e daí vem minha casa, onde estou mergulhada: estática. Deles, sou zona de ressonância, estou entre os trilhos, a respirar.
Sou a pregnância, eles o filho sentado à direita.
Minha paixão em quantas instâncias acontecerá? Já se iniciou? Carrego os estigmas, quando quase cicatrizes, deponho.
Abrem-se novamente quando a sombra aparece, minha e deles, e a luz vai direcionada a outrem. A estiagem vem em seguida quando da memória ilumino a mim mesma, a saber que um segundo é expressão menor do infinito.
Eles, a quem golpeio amorosamente, participam da desfragmentação que trabalha em múltiplos pólos. Magnética: une, organiza, produz eternidade.
São pontos de convergência de muito do que sou e não me permito saber. Captam a todo instante e daí vem minha casa, onde estou mergulhada: estática. Deles, sou zona de ressonância, estou entre os trilhos, a respirar.
Sou a pregnância, eles o filho sentado à direita.
Minha paixão em quantas instâncias acontecerá? Já se iniciou? Carrego os estigmas, quando quase cicatrizes, deponho.
Abrem-se novamente quando a sombra aparece, minha e deles, e a luz vai direcionada a outrem. A estiagem vem em seguida quando da memória ilumino a mim mesma, a saber que um segundo é expressão menor do infinito.
Eles, a quem golpeio amorosamente, participam da desfragmentação que trabalha em múltiplos pólos. Magnética: une, organiza, produz eternidade.
Que saudade daqueles posts cheios de epifanias e arrebatamentos... O da delicadeza foi um dos melhores.
Nem comemorou-se o aniversário de dois anos deste blog; aconteceu quando estava chegando da Europa, no meio do redemoinho.
Então, este fica sendo mais um daqueles posts levemente burocráticos, feitos para tentar reavivar as coisas por aqui.
Lista das 5 coisas mais interessantes que vi/ouvi nos últimos dias:
1. No Direction Home, documentário do Scorcese sobre o Bob Dylan
2. Kinsey, um filme sobre a natureza polígama do ser humano
3. Umas coisas velhas e engraçadas que escrevi há uns 3, 4 anos; e outras nem tanto
4. Que uma banana é 65% humana
5. Mais um belo álbum da Sra. Coltrane (chama-se Translinear Light)
Nem comemorou-se o aniversário de dois anos deste blog; aconteceu quando estava chegando da Europa, no meio do redemoinho.
Então, este fica sendo mais um daqueles posts levemente burocráticos, feitos para tentar reavivar as coisas por aqui.
Lista das 5 coisas mais interessantes que vi/ouvi nos últimos dias:
1. No Direction Home, documentário do Scorcese sobre o Bob Dylan
2. Kinsey, um filme sobre a natureza polígama do ser humano
3. Umas coisas velhas e engraçadas que escrevi há uns 3, 4 anos; e outras nem tanto
4. Que uma banana é 65% humana
5. Mais um belo álbum da Sra. Coltrane (chama-se Translinear Light)
quinta-feira, 24 de agosto de 2006
terça-feira, 22 de agosto de 2006
nostalgia
desde que cheguei não estou em lugar nenhum.
aliás, desde milão, comecei a flutuar, mas estava dupla. deixei metade em algum lugar, uma toscana misturada, real e invisível.
pousar não foi possível, o chão em pedaços tornou-se eco.
flutuo, escuto.
aliás, desde milão, comecei a flutuar, mas estava dupla. deixei metade em algum lugar, uma toscana misturada, real e invisível.
pousar não foi possível, o chão em pedaços tornou-se eco.
flutuo, escuto.
segunda-feira, 15 de maio de 2006
em defesa da multidisciplinaridade
um dos conceitos mais interessantes de que tomei conhecimento recentemente foi o da metáfora como linguagem da natureza, proposto por Gregory Bateson.
é mais um daqueles que estava na ponta da língua de todo mundo que se pergunta questões importantes, mas ninguém ainda havia tido o desprendimento de dizer tão diretamente.
algumas vezes, as pessoas tomam decisões por motivos considerados ulteriores à questão "pertinente"; o resultado pode ser favorável ou desfavorável no início mas que leva a algo inesperadamente melhor. talvez tais pessoas hajam experimentado um insight ao estilo arquimedeano por haverem-se conservado atentas a tudo o que lhes acontece, por possuirem poder de concentração maior do que imaginam. ou seja, algum motivo aparentemente disparatado, e até caprichoso, pode ativar mecanismos de memória de causa e efeito, armazenados no inconsciente, que são a chave para alguma situação.
resumindo: qualquer coisa na natureza pode ser uma metáfora para qualquer coisa na natureza. trabalhamos, seres vivos, com um número limitado de códigos, limitado porém capaz de inúmeras combinações. é o que parece.
por isso, manter-se consciente daquilo que se faz ajuda a aumentar o vocabulário de combinações possíveis, nunca se sabe, em algum momento uma chave em potencial pode ser fundamental para decodificar problemas que se nos apresentam.
creio que é mais um argumento a se explorar continuamente para o mundo.
para mim, confesso que, além dessa razão mais importante, é também algo a mais que consegui acumular para corroborar minha tão conflitante tendência multidisciplinar. nessas alturas, creio que seja mesmo omnidisciplinar...!!
pretensão, é, um pouco. mas não perco o ponto: cada vez mais é o alvo.
quanto maior o espectro, menor a persona, espero.
enfim, explico: é que tudo isso parece mostrar que aqueles que têm em si essa multidisciplinaridade são os que mais acordam para as metáforas da natureza. transitam, portanto, com maior ou menor grau de liberdade entre os compartimentos da ciência e das artes que nós, pessoas, criamos.
me parece humano, me parece natural e justificável.
alguém me disse esses dias que mudar é o que caracteriza o homem. digo assim: é o que caracteriza o espírito; quem não muda, está a constranger o seu e, consequentemente, o de todos.
é mais um daqueles que estava na ponta da língua de todo mundo que se pergunta questões importantes, mas ninguém ainda havia tido o desprendimento de dizer tão diretamente.
algumas vezes, as pessoas tomam decisões por motivos considerados ulteriores à questão "pertinente"; o resultado pode ser favorável ou desfavorável no início mas que leva a algo inesperadamente melhor. talvez tais pessoas hajam experimentado um insight ao estilo arquimedeano por haverem-se conservado atentas a tudo o que lhes acontece, por possuirem poder de concentração maior do que imaginam. ou seja, algum motivo aparentemente disparatado, e até caprichoso, pode ativar mecanismos de memória de causa e efeito, armazenados no inconsciente, que são a chave para alguma situação.
resumindo: qualquer coisa na natureza pode ser uma metáfora para qualquer coisa na natureza. trabalhamos, seres vivos, com um número limitado de códigos, limitado porém capaz de inúmeras combinações. é o que parece.
por isso, manter-se consciente daquilo que se faz ajuda a aumentar o vocabulário de combinações possíveis, nunca se sabe, em algum momento uma chave em potencial pode ser fundamental para decodificar problemas que se nos apresentam.
creio que é mais um argumento a se explorar continuamente para o mundo.
para mim, confesso que, além dessa razão mais importante, é também algo a mais que consegui acumular para corroborar minha tão conflitante tendência multidisciplinar. nessas alturas, creio que seja mesmo omnidisciplinar...!!
pretensão, é, um pouco. mas não perco o ponto: cada vez mais é o alvo.
quanto maior o espectro, menor a persona, espero.
enfim, explico: é que tudo isso parece mostrar que aqueles que têm em si essa multidisciplinaridade são os que mais acordam para as metáforas da natureza. transitam, portanto, com maior ou menor grau de liberdade entre os compartimentos da ciência e das artes que nós, pessoas, criamos.
me parece humano, me parece natural e justificável.
alguém me disse esses dias que mudar é o que caracteriza o homem. digo assim: é o que caracteriza o espírito; quem não muda, está a constranger o seu e, consequentemente, o de todos.
terça-feira, 9 de maio de 2006
ancoragem
é claro que, neste mundo material, não há possibilidade de erradicar 100% a personalidade. mas livrar-se de achar isso objeto de cultivo, aí sim, quero. a satisfação virá de outras formas, não pela corroboração de um castelo de individualidades de que eu possa me orgulhar.
acredito, no entanto, que nosso processo de evolução é individual, sim. mas acho que se dá no âmbito do coletivo, sempre. a visar o coletivo.
então, vejo que parece ser mesmo que nem yin-yang.
a lógica é maravilhosa, mas precisa da âncora que é o sentimento. pra não cair no fetiche...
a abnegação é algo a se buscar, mas precisa da âncora da personalidade, neste mundo. é o único jeito de ser, aqui.
o coletivo é uma meta, mas o individual é a âncora para entender o processo.
pois é. sempre um pingo de uma coisa no meio da outra, será?
acredito, no entanto, que nosso processo de evolução é individual, sim. mas acho que se dá no âmbito do coletivo, sempre. a visar o coletivo.
então, vejo que parece ser mesmo que nem yin-yang.
a lógica é maravilhosa, mas precisa da âncora que é o sentimento. pra não cair no fetiche...
a abnegação é algo a se buscar, mas precisa da âncora da personalidade, neste mundo. é o único jeito de ser, aqui.
o coletivo é uma meta, mas o individual é a âncora para entender o processo.
pois é. sempre um pingo de uma coisa no meio da outra, será?
sábado, 6 de maio de 2006
desfazer a personalidade
hoje disse algo importante sem prever antes que diria. sem ter notado que era assim: estou indo embora não pra me encontrar, mas pra me perder.
esse encontro marcado e perdido é indício de adolescência que esteve ali, é aquela coisa no armário de que normalmente não se consegue desfazer.
isso, sim: perder. ficar sem nada, até sem o pronome, mas ao mesmo tempo com tudo.
esse encontro marcado e perdido é indício de adolescência que esteve ali, é aquela coisa no armário de que normalmente não se consegue desfazer.
isso, sim: perder. ficar sem nada, até sem o pronome, mas ao mesmo tempo com tudo.
segunda-feira, 1 de maio de 2006
um post meio infantil
só queria dizer, antes de ir dormir, que acho muito triste o preconceito que a intelligentsia mundial tem contra tantas coisas. é, muito preconceito. contra novas investigações nas ciências que não levam em conta só o que a gente vê e toca, contra pensar sobre o mundo em sua totalidade e não excluir espiritualidade, intuição, percepção, enfim coisas que a gente sabe que o ser humano tem. a ciência foi criada por seres humanos, por que restringir certas coisas que são tipicamente de gente? por que considerar inteligentes só os que martelam o próprio cérebro sem cansar com coisas abstratas? eu tinha bem mais dor de cabeça quando era assim. o que tem de errado em meditar, em pensar em coisas como amor universal?
se o mundo só tivesse gente assim, seria um lugar pessimista, mal-cuidado, caótico, despirocado (hehe), doente, cheio de maus pais e mais um monte de coisas ruins. não quero também ficar reclamando por linhas e linhas aqui, mas que poderia, poderia. mas que besteira pensar que felicidade é ridículo, que ser bom é idiota, que quem acredita em algo espiritual é tolo.
ok, tem muita gente que busca a espiritualidade por motivos egoístas, mas tem muitos que buscam por quererem genuinamente encontrar melhora pro mundo, pra si, pros outros. pronto, parei. =/
se o mundo só tivesse gente assim, seria um lugar pessimista, mal-cuidado, caótico, despirocado (hehe), doente, cheio de maus pais e mais um monte de coisas ruins. não quero também ficar reclamando por linhas e linhas aqui, mas que poderia, poderia. mas que besteira pensar que felicidade é ridículo, que ser bom é idiota, que quem acredita em algo espiritual é tolo.
ok, tem muita gente que busca a espiritualidade por motivos egoístas, mas tem muitos que buscam por quererem genuinamente encontrar melhora pro mundo, pra si, pros outros. pronto, parei. =/
terça-feira, 25 de abril de 2006
sobre o post abaixo
é tradição e elemento estrutural deste blog fazer um círculo hermenêutico...
quase me sinto uma apócrifa. hahaha... aliás, círculo nada perfeito. daqueles desenhados com mouse.
quando reli o post abaixo me lembrei de alguns outros cifrados que na hora me pareciam super herméticos, e que depois achei o tom ingênuo, ligeiramente infantil. o engraçado é que, quando já ia clicar no lapizinho pra editar esse último, me ocorreu que, neste caso, essa entonação acidental nada tem de acidental. e condiz absolutamente com o ponto de partida do mini-texto. é claro que, quanto menos a mensagem me é declarada, mais a codificação funciona. mas acho que está melhor do que se poderia julgar uma construção somente infantil; tem todas as referências necessárias, não mais do que isso.
quase me sinto uma apócrifa. hahaha... aliás, círculo nada perfeito. daqueles desenhados com mouse.
quando reli o post abaixo me lembrei de alguns outros cifrados que na hora me pareciam super herméticos, e que depois achei o tom ingênuo, ligeiramente infantil. o engraçado é que, quando já ia clicar no lapizinho pra editar esse último, me ocorreu que, neste caso, essa entonação acidental nada tem de acidental. e condiz absolutamente com o ponto de partida do mini-texto. é claro que, quanto menos a mensagem me é declarada, mais a codificação funciona. mas acho que está melhor do que se poderia julgar uma construção somente infantil; tem todas as referências necessárias, não mais do que isso.
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