Hoje estive observando as árvores, minhas velhas conhecidas de trajetória peripatética. As mesmas que posso apresentar às pessoas que me parecem merecer conhecê-las.
Até aí, nenhuma novidade.
A não ser que pensei também sobre algumas que estavam mais longe, e sobre o corte delas, ou seja, a moldura de cercas que sempre existe. É, na verdade muitas daquelas árvores só conheço em parte, só a copa, ou menos ainda. Por ter pouca altura, mesmo as cercas maiores me impedem de ver bem minhas amigas galhadas. Mas isso é fantástico, pra ser sincera!
Tenho vários jardins potencialmente maravilhosos, lugares meio obscuros, meio verdadeiros meio imaginados. Nunca consigo entender bem a totalidade do habitat dessas árvores, se existem outras plantas mais rasteiras, se há grama, se as folhas secas foram varridas ou não. Às vezes até posso ver o chão, mas não o espaço intermediário que pode ter outras copas reclusas, quem sabe até um varal meio feioso ou um balancinho de criança.
E entendi que isso é uma das coisas que tanto me fascinam sobre o que vejo regularmente nas caminhadas, é toda essa possibilidade de haver um jardim lindo e encantador do outro lado, que fica mais lindo e mais encantador por existir de fato na potência da minha imaginação. Não é nem que eu fique elocubrando sobre como devam ser, só o fiz agora pra ter o que escrever neste texto. O fato de sentir essa pulsação de possibilidades é que me encanta. E os pequenos ou grandes recortes que posso ver, muitas vezes acompanhados daquele fundo azul azul azul típico do império Cerratense. E tocado por ouro luminoso todos os dias, ah, sorte minha de ver.
terça-feira, 30 de agosto de 2005
sexta-feira, 26 de agosto de 2005
they call you christ, vsnu, buddha, jehovah, our lord... you are govindam, sophia, creator of all.
No último mês minhas peripatéticas estavam sendo quase acidentais, na UnB e pelas ruas adjacentes.
Mas agora pouco fui caminhar pela minha rota habitual e do coração, e estava bem segura de que, com a seca, o gramado que me faz sonhar com mergulhos e rodopios estaria seco e não me despertaria impulsos de liberdade.
Mas não sei como, ele estava vivo e escandalosamente verde!! Nossa, não contava com isso. Senti vontade demais de pular da calçada e sair correndo nele (e, claro, rodopiando, não esqueci) e sorrindo de fora a fora. Uhhh adoro ficar retardada!!!
Mas olhei pros lados e vi uma mulher andando devagar do outro lado da calçada, e todo o corporativismo do mundo me fez desanimar, argh. Mas ainda fiquei olhando o gramado com o canto do olho, até cair no ponto cego. Um dia eu ainda faço isso. Ah!
Pausa dedicada ao amor verdadeiro, aquele do mundo pelo mundo, ou da vida pela vida, e viva o esforço que as pessoas fazem pra encontrá-lo, ainda que direcionem ao invés de aspergirem.
.
.
.
Nesses momentos de caminhada me sinto tão independente. Mesmo que minhas decisões sejam afetas por outros, como é o caso da mulher da calçada oposta. Já escrevi sobre isso aqui, é claro, mas mas mas nunca parece que dá pra explicar. E já escrevi em código que, parece, fica mais claro ainda, ahhh mas que aflição de dizer isso hoje de novo. Ser individual não é ser egoísta, é apenas visualizar as coisas com lupa. Sabe, é meio maluco ser comunicativa e ter ímpetos de salvar o mundo e ao mesmo tempo ser individualista e gostar de ficar sozinha. Mas é que nessa sociedade ocidental, o senso de comunidade perdeu-se tanto que estar junto de muita gente é ser bombardeado por fragmentos com pontas perigosas. Sozinha parece que dá pra aspirar no ar aquilo que é de todo mundo... Ahhh a força que têm as pessoas. Bah bah bah.
Não sei de nada.
"
There's a man talking on the radio
What he's saying I don't really know
Seems he's lost some stocks and shares
Stops and stares
He's afraid I know
That's the way it goes
There's a man talking of the promised land
He'll aquire it with some Krugerrand
Subdivide and deal it out
Feel his clout
He can stoop so low
And that's the way it goes
There's an actor who hopes to fit the bill
Sees a shining city on a hill
Step up close and see he's blind
Wined and dined
All he has is pose
And that's the way it goes
There's a fire that burns away the lies
Manifesting in the spiritual eye
Though you won't understand the way I feel
You conceal, all there is to know
That's the way it goes
"
(G. Harrison)
Mas agora pouco fui caminhar pela minha rota habitual e do coração, e estava bem segura de que, com a seca, o gramado que me faz sonhar com mergulhos e rodopios estaria seco e não me despertaria impulsos de liberdade.
Mas não sei como, ele estava vivo e escandalosamente verde!! Nossa, não contava com isso. Senti vontade demais de pular da calçada e sair correndo nele (e, claro, rodopiando, não esqueci) e sorrindo de fora a fora. Uhhh adoro ficar retardada!!!
Mas olhei pros lados e vi uma mulher andando devagar do outro lado da calçada, e todo o corporativismo do mundo me fez desanimar, argh. Mas ainda fiquei olhando o gramado com o canto do olho, até cair no ponto cego. Um dia eu ainda faço isso. Ah!
Pausa dedicada ao amor verdadeiro, aquele do mundo pelo mundo, ou da vida pela vida, e viva o esforço que as pessoas fazem pra encontrá-lo, ainda que direcionem ao invés de aspergirem.
.
.
.
Nesses momentos de caminhada me sinto tão independente. Mesmo que minhas decisões sejam afetas por outros, como é o caso da mulher da calçada oposta. Já escrevi sobre isso aqui, é claro, mas mas mas nunca parece que dá pra explicar. E já escrevi em código que, parece, fica mais claro ainda, ahhh mas que aflição de dizer isso hoje de novo. Ser individual não é ser egoísta, é apenas visualizar as coisas com lupa. Sabe, é meio maluco ser comunicativa e ter ímpetos de salvar o mundo e ao mesmo tempo ser individualista e gostar de ficar sozinha. Mas é que nessa sociedade ocidental, o senso de comunidade perdeu-se tanto que estar junto de muita gente é ser bombardeado por fragmentos com pontas perigosas. Sozinha parece que dá pra aspirar no ar aquilo que é de todo mundo... Ahhh a força que têm as pessoas. Bah bah bah.
Não sei de nada.
"
There's a man talking on the radio
What he's saying I don't really know
Seems he's lost some stocks and shares
Stops and stares
He's afraid I know
That's the way it goes
There's a man talking of the promised land
He'll aquire it with some Krugerrand
Subdivide and deal it out
Feel his clout
He can stoop so low
And that's the way it goes
There's an actor who hopes to fit the bill
Sees a shining city on a hill
Step up close and see he's blind
Wined and dined
All he has is pose
And that's the way it goes
There's a fire that burns away the lies
Manifesting in the spiritual eye
Though you won't understand the way I feel
You conceal, all there is to know
That's the way it goes
"
(G. Harrison)
segunda-feira, 22 de agosto de 2005
sábado, 20 de agosto de 2005
e hoje percebi
que não quero mesmo nada a ver com o mundo acadêmico.
não me sinto confortável no meio de intelectuais. e daí que eu já li 500 coisas intelectuais e é até possível que tenha entendido mais do que muito aluno da UnB? e daí, meu deus???
não quero nunca mais ser sabatinada sobre referências e nomes. e não quero mais saber de rol de autores, paideuma, recepção, representação, comparação, masturbação mental e vaidade intelectual.
nenhum olhar a mais de dúvida ou ironia por causa dessa ou daquela imprecisão sobre um título ou uma adequação.
ahhhh o processo de simplificação... =)
não me sinto confortável no meio de intelectuais. e daí que eu já li 500 coisas intelectuais e é até possível que tenha entendido mais do que muito aluno da UnB? e daí, meu deus???
não quero nunca mais ser sabatinada sobre referências e nomes. e não quero mais saber de rol de autores, paideuma, recepção, representação, comparação, masturbação mental e vaidade intelectual.
nenhum olhar a mais de dúvida ou ironia por causa dessa ou daquela imprecisão sobre um título ou uma adequação.
ahhhh o processo de simplificação... =)
cansei de perguntar
por que eu consigo fazer várias coisas diferentíssimas, mas nenhuma muito bem?
por que consigo acreditar em teorias antagônicas, mas não seguir de fato nenhuma?
por que não me sinto nem muito mal com todas essas contradições?
não sei se cansei ou se não quero saber a resposta agora.
por favor, você que está lendo, não queira que eu seja coerente. ou melhor, queira mas não tenha expectativas. essa coerência pode vir de formas meio indefinidas, passam sem que sejam percebidas. mas prefiro acreditar que exista sim uma lógica nisso tudo, enfim, não só prefiro como nem tenho outra escolha.
prefiro ter paz. paz paz paz paz paz.
só ir caminhar e sentar e ouvir george. comer coisas boas, dar abraço e deixar vir o que não pode não vir.
eu não estou fugindo, não.
"Though you sit in another chair, I can feel you here
Looking like I don't care, but I do, I do
Hiding it all behind anything I see
Should someone be looking at me
While I occupy my mind, I can feel you here
Love to us is so well timed, and I do, I do
Wasting away these moments so heavenly
Should someone be looking at me
Let it down, let it all down
Let your hair hang all around me
Let it down, let it down
Let your love flow and astound me
While you look so sweetly and divine, I can feel you here
I see your eyes are busy kissing mine, and I do, I do
Wondering what it is they're expecting to see
Should someone be looking at me
Let it down, let it all down
Let your hair hang all around me
Let it down, let it down
Let your love flow and astound me
Let it down, let it down"
G. Harrison
por que consigo acreditar em teorias antagônicas, mas não seguir de fato nenhuma?
por que não me sinto nem muito mal com todas essas contradições?
não sei se cansei ou se não quero saber a resposta agora.
por favor, você que está lendo, não queira que eu seja coerente. ou melhor, queira mas não tenha expectativas. essa coerência pode vir de formas meio indefinidas, passam sem que sejam percebidas. mas prefiro acreditar que exista sim uma lógica nisso tudo, enfim, não só prefiro como nem tenho outra escolha.
prefiro ter paz. paz paz paz paz paz.
só ir caminhar e sentar e ouvir george. comer coisas boas, dar abraço e deixar vir o que não pode não vir.
eu não estou fugindo, não.
"Though you sit in another chair, I can feel you here
Looking like I don't care, but I do, I do
Hiding it all behind anything I see
Should someone be looking at me
While I occupy my mind, I can feel you here
Love to us is so well timed, and I do, I do
Wasting away these moments so heavenly
Should someone be looking at me
Let it down, let it all down
Let your hair hang all around me
Let it down, let it down
Let your love flow and astound me
While you look so sweetly and divine, I can feel you here
I see your eyes are busy kissing mine, and I do, I do
Wondering what it is they're expecting to see
Should someone be looking at me
Let it down, let it all down
Let your hair hang all around me
Let it down, let it down
Let your love flow and astound me
Let it down, let it down"
G. Harrison
domingo, 7 de agosto de 2005
my pirate name
My pirate name is:
Captain Mary Cash

Even though there's no legal rank on a pirate ship, everyone recognizes you're the one in charge. You're musical, and you've got a certain style if not flair. You'll do just fine. Arr!
Get your own pirate name from fidius.org.
terça-feira, 2 de agosto de 2005
domingo, 31 de julho de 2005
...continuando
É bom deixar claro que falo de paixões e relacionamentos baseados no ideal romântico que, hoje em dia, nem mesmo romântico é, deveria ter outro nome. Enquanto, obviamente, careço de mais informações e aprofundamento no assunto, tenho uma idéia de que o amor propriamente dito é absolutamente diverso e não está circunscrito a uma relação de possessão e projeção. Uma amizade verdadeira é o que mais se aproximaria disso, grosso modo, hoje em dia.
Honestamente, acho melhor não prosseguir com isto por agora. Vou fechar com a ajuda de terceiros, se me permitem.
Why should a foolish marriage vow
by John Dryden
Why should a foolish marriage vow,
Which long ago was made,
Oblige us to each other now
When passion is decay'd?
We loved, and we loved, as long as we could,
Till our love was loved out in us both:
But our marriage is dead, when the pleasure is fled:
'Twas pleasure first made it an oath.
If I have pleasures for a friend,
And farther love in store,
What wrong has he whose joys did end,
And who could give no more?
'Tis a madness that he should be jealous of me,
Or that I should bar him of another:
For all we can gain is to give our selves pain,
When neither can hinder the other.
Honestamente, acho melhor não prosseguir com isto por agora. Vou fechar com a ajuda de terceiros, se me permitem.
Why should a foolish marriage vow
by John Dryden
Why should a foolish marriage vow,
Which long ago was made,
Oblige us to each other now
When passion is decay'd?
We loved, and we loved, as long as we could,
Till our love was loved out in us both:
But our marriage is dead, when the pleasure is fled:
'Twas pleasure first made it an oath.
If I have pleasures for a friend,
And farther love in store,
What wrong has he whose joys did end,
And who could give no more?
'Tis a madness that he should be jealous of me,
Or that I should bar him of another:
For all we can gain is to give our selves pain,
When neither can hinder the other.
Aniversario deste blog
Acordei hoje com um email cuja repercussão mais leve em mim foi, ao me incitar a reler meu próprio blog, me fazer perceber que estamos no mês de aniversário dele.
Apesar da ordem um pouco vaga de sua apresentação, é sim possível notar o movimento. A progressão de temas recorrentes – temas sim, desta vez não vou dizer que a escrita não é topológica, não vou chamar de escritura e nem pretender criar um mundo que não é o real. Tudo o que foi registrado nesta região é tema. E é indecentemente metafísico.
Toda a superexposição das palavras evidencia uma fuga, livrar-se de interpretações de conduta, de absolutos e espelhos.
Mas agora, com um ano de blog, prefiro dizer, ainda que não saiba exatamente o caminho e tenha uma idéia apenas incipiente do fim, que troco a relativização pelo confronto. Não é mudar de perspectiva para mudar o resto do mundo, mas para alimentar sua condição.
Ontem alguém que não eu também conseguiu ver que sou Zelig; quando me aproximo de alguém, fico sendo essa pessoa. Além de compartilhar dessa visão, acredito que essa multiplicidade consiste em nada mais do que etapas de uma busca muito extensa. Não sei como dar consistência a nada sem que tenha estabelecido parâmetros antes. Esse pode ter sido o primeiro passo, portanto, do processo que começou ali nas alturas do aura amara. Agora reflexo. E a dúvida...
Apaixonados buscam lisonjas, anteparo no outro para protelar um momento de análise verdadeira. Agir com egocentrismo não me parece ruim se se considerar a unidade da condição humana. Nesse caso, melhorar-se seria benéfico ao grupo. Mas não consigo ver no que as paixões poderiam contribuir, nem mesmo para uma pessoa só, ou duas. A relação baseada em paixões é um castelo no ar, construção feita em cima de abstrações como expectativas, fantasias, projeções, ânimos extremos. Não só um castelo, mas dois fortes em guerra, enquanto os corpos permanecem parados. Gosto muito de um trecho do Extasie (aquele poema do John Donne que já pus aqui, em abril):
"(...) Our soules, (which to advance their state,
Were gone out,) hung 'twixt her, and mee.
And whil'st our soules negotiate there,
Wee like sepulchrall statues lay,
All day, the same our postures were,
And wee said nothing, all the day. (...)"
As almas engalfinham-se nas contradições e angústias de tentar olhar para si próprias, olhando para o outro. Vêem no outro o que querem, no início, depois começam a enxergar o que não esperavam, desesperam-se, esfregam os olhos, tentam consertar, ocupam-se o máximo possível para que não precisem virar-se para si. Algumas vezes, sentindo-se derrotadas, passam a viver na torre de suas fortificações, elas próprias seus carcereiros, alimentam-se de lamúrios pelo que o outro não pôde alcançar e mal sabem que ainda estão lutando. A guerra de cada um tentando modificar o outro, tentando mostrar ao outro o que ele vê, mas permanecendo cegos. Enquanto isso, os corpos estagnados são impedidos de fazer qualquer coisa e definham...
Mas vou continuar depois, este post está muito longo e não quero comemorar o aniversário do blog com cérebro frito.
Apesar da ordem um pouco vaga de sua apresentação, é sim possível notar o movimento. A progressão de temas recorrentes – temas sim, desta vez não vou dizer que a escrita não é topológica, não vou chamar de escritura e nem pretender criar um mundo que não é o real. Tudo o que foi registrado nesta região é tema. E é indecentemente metafísico.
Toda a superexposição das palavras evidencia uma fuga, livrar-se de interpretações de conduta, de absolutos e espelhos.
Mas agora, com um ano de blog, prefiro dizer, ainda que não saiba exatamente o caminho e tenha uma idéia apenas incipiente do fim, que troco a relativização pelo confronto. Não é mudar de perspectiva para mudar o resto do mundo, mas para alimentar sua condição.
Ontem alguém que não eu também conseguiu ver que sou Zelig; quando me aproximo de alguém, fico sendo essa pessoa. Além de compartilhar dessa visão, acredito que essa multiplicidade consiste em nada mais do que etapas de uma busca muito extensa. Não sei como dar consistência a nada sem que tenha estabelecido parâmetros antes. Esse pode ter sido o primeiro passo, portanto, do processo que começou ali nas alturas do aura amara. Agora reflexo. E a dúvida...
Apaixonados buscam lisonjas, anteparo no outro para protelar um momento de análise verdadeira. Agir com egocentrismo não me parece ruim se se considerar a unidade da condição humana. Nesse caso, melhorar-se seria benéfico ao grupo. Mas não consigo ver no que as paixões poderiam contribuir, nem mesmo para uma pessoa só, ou duas. A relação baseada em paixões é um castelo no ar, construção feita em cima de abstrações como expectativas, fantasias, projeções, ânimos extremos. Não só um castelo, mas dois fortes em guerra, enquanto os corpos permanecem parados. Gosto muito de um trecho do Extasie (aquele poema do John Donne que já pus aqui, em abril):
"(...) Our soules, (which to advance their state,
Were gone out,) hung 'twixt her, and mee.
And whil'st our soules negotiate there,
Wee like sepulchrall statues lay,
All day, the same our postures were,
And wee said nothing, all the day. (...)"
As almas engalfinham-se nas contradições e angústias de tentar olhar para si próprias, olhando para o outro. Vêem no outro o que querem, no início, depois começam a enxergar o que não esperavam, desesperam-se, esfregam os olhos, tentam consertar, ocupam-se o máximo possível para que não precisem virar-se para si. Algumas vezes, sentindo-se derrotadas, passam a viver na torre de suas fortificações, elas próprias seus carcereiros, alimentam-se de lamúrios pelo que o outro não pôde alcançar e mal sabem que ainda estão lutando. A guerra de cada um tentando modificar o outro, tentando mostrar ao outro o que ele vê, mas permanecendo cegos. Enquanto isso, os corpos estagnados são impedidos de fazer qualquer coisa e definham...
Mas vou continuar depois, este post está muito longo e não quero comemorar o aniversário do blog com cérebro frito.
segunda-feira, 11 de julho de 2005
Os Versos de Ouro - Pitagoras de Samos
1. Primeiro honra os Deuses Imortais, como estabelecido e ordenado pela Lei.
2. Reverencia teu Juramento e, então, os Heróis, plenos de bondade e luz.
3. Honra igualmente os Espíritos Terrestres em respeito manifesto segundo a Lei.
4. Honra em conformidade teus pais, e aqueles mais próximos a ti.
5. Entre os homens, faça teu amigo o que se distingue por sua virtude.
6. Alimenta-te de suas palavras suaves e segue o exemplo de seus precisos e virtuosos atos.
7. Evita ao máximo odiar teu amigo por uma pequena falta.
8. [Assim, entenda que] o poder é limitado pela necessidade.
9. Saiba que tais coisas são assim como as reporto; e acostuma-te a superar e exinguir as seguintes paixões:
10. Primeiro gula, preguiça, luxúria, e raiva.
11. Nada faça de maldoso, estejas só ou na presença de outros;
12. Mas, acima de todas as coisas, respeita a si próprio.
13. Depois, preserva justiça em tuas ações e palavras.
14. E não viva sem regra ou razão, observa o perigo da comodidade.
15. Mas sempre reflita em que, ordenado pelo destino, o homem irá perecer.
16. E em que os bens da opulência são incertos; assim como se pode adquiri-los, podem ser perdidos.
17. As calamidades a que o homem submete-se por intervenção divina,
18. Suporta com paciência, quaisquer sejam, e delas não guarde rancor.
19. Mas emprega o que puderes em remediá-las.
20. E pondera que o destino não rege a maior parte dos infortúnios do homem.
21. Argumentos existem vários entre os homens, bons e ruins;
22. Não os admira facilmente, nem tampouco os rejeita.
23. Se te deparas com falsidades, escuta-as com suavidade e arma-te de paciência.
24. Observa bem, em todas as ocasiões, o que aqui exponho:
25. Não se permita seduzir por homem algum, seja por suas palavras ou seus atos.
26. Tampouco te ponhas a falar ou agir sem que sejas com isso beneficiado.
27. Pondera e delibera antes de agir, modo a não incorrer em atos tolos.
28. É próprio do homem miserável falar e agir sem reflexão.
29. Faça o que não te afligirá no futuro, e nem te corroerá em arrependimento.
30. Jamais faça o que não compreendes.
31. Mas aprenda tudo que deves aprender, e por meio disso regalar-se-á de uma vida prazerosa.
32. De forma alguma negligencia a saúde de teu corpo;
33. Mas dá-lhe bebida e comida em medidas apropriadas, assim com o exercício de que necessita.
34. Entenda que os extremos não lhe serão salutares.
35. Acostuma-te com uma vida decente e ordenada, livre de luxúria.
36. Evita tudo o que ocasione inveja.
37. E não seja pródigo fora do tempo, saiba ser decente e honrado.
38. Tampouco seja invejoso ou avaro; a justa moderação é excelente em ambos os casos.
39. Faça apenas o que não te prejudicará, e delibera antes de proceder.
40. Jamais permita que o sono lhe cerre as pálpebras, ao deitares,
41. Até que tenhas examinado, com a razão, todas as ações de teu dia.
42. Em que falhei? Em que agi corretamente? O que deixei de fazer que deveria ter feito?
43. Se em teu exame descobrires falhas, seja severo em tua reprimenda;
44. E se houveres acertado, alegra-te.
45. Pratica largamente todas essas instâncias; medita bem sobre elas; deves amá-las com todo o coração.
46. Elevar-te-ão ao caminho da divina virtude.
47. Juro sobre aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado, a fonte da natureza, cuja causa é eterna.
48. Mas jamais inicia quaisquer trabalhos até que tenhas primeiro rogado aos deuses que realizes o que estás prestes a empreender.
49. Quando fizeres de tal procedimento hábito familiar,
50. Absorverás a constituição dos Deuses Imortais e dos homens.
51. Até mesmo o quão diferentes os seres podem ser, o que contêm e o que lhes é comum.
52. Saberás, em conformidade, que, de acordo com a Lei, a natureza deste universo é em todas as coisas una,
53. E assim não desejarás o que não deves; e nada neste mundo será escuso para ti.
54. Entenderás, assim, que os homens trazem infortúnios para si voluntariamente, por seu livre-arbítrio.
55. Infelizes que são! Não enxergam e nem entendem que o Bem está próximo a eles.
56. Poucos sabem manejar-se para longe de suas desventuras.
57. Tal é o fim que cega a humanidade e priva-a de seus sentidos.
58. Sob imensos cilindros que rolam avante e em retrocesso, sempre oprimida por males inumeráveis.
59. Por sua desunião fatal e inata, perseguem-na em toda parte, atirando-a para cima e para baixo sem que os homens percebam.
60. Sem provocar ou acelerar tal movimento, devem, ao entregar-se, evitá-lo.
61. Oh! Zeus, nosso Pai! se Tu livras todos os homens dos males que os afligem,
62. Mostra-lhes de que espírito lhes é conveniente fazer uso.
63. Não temas; a raça do homem é divina.
64. A sagrada Natureza desvela-lhes os segredos mais encobertos.
65. Se ela lhe comunica os mistérios, facilmente praticarás tudo aquilo que hei lhe ordenado.
66. E, pela cura de tua alma, a libertarás de todo mal, de toda aflição.
67. Mas abstêm-te das carnes, que hemos proibido nas purificações e na libertação da alma;
68. Faça delas justa distinção, e examina bem as coisas.
69. Deixa-te guiar e dirigir pelo entendimento superior, que a tudo orienta.
70. E quando, após o desenlace de teu corpo mortal, alcançares o puríssimo Étereo,
71. Serás então um Deus, imortal, incorruptível, e a Morte não mais terá domínio sobre ti.
Tradução de terceiro grau: MMG.
2. Reverencia teu Juramento e, então, os Heróis, plenos de bondade e luz.
3. Honra igualmente os Espíritos Terrestres em respeito manifesto segundo a Lei.
4. Honra em conformidade teus pais, e aqueles mais próximos a ti.
5. Entre os homens, faça teu amigo o que se distingue por sua virtude.
6. Alimenta-te de suas palavras suaves e segue o exemplo de seus precisos e virtuosos atos.
7. Evita ao máximo odiar teu amigo por uma pequena falta.
8. [Assim, entenda que] o poder é limitado pela necessidade.
9. Saiba que tais coisas são assim como as reporto; e acostuma-te a superar e exinguir as seguintes paixões:
10. Primeiro gula, preguiça, luxúria, e raiva.
11. Nada faça de maldoso, estejas só ou na presença de outros;
12. Mas, acima de todas as coisas, respeita a si próprio.
13. Depois, preserva justiça em tuas ações e palavras.
14. E não viva sem regra ou razão, observa o perigo da comodidade.
15. Mas sempre reflita em que, ordenado pelo destino, o homem irá perecer.
16. E em que os bens da opulência são incertos; assim como se pode adquiri-los, podem ser perdidos.
17. As calamidades a que o homem submete-se por intervenção divina,
18. Suporta com paciência, quaisquer sejam, e delas não guarde rancor.
19. Mas emprega o que puderes em remediá-las.
20. E pondera que o destino não rege a maior parte dos infortúnios do homem.
21. Argumentos existem vários entre os homens, bons e ruins;
22. Não os admira facilmente, nem tampouco os rejeita.
23. Se te deparas com falsidades, escuta-as com suavidade e arma-te de paciência.
24. Observa bem, em todas as ocasiões, o que aqui exponho:
25. Não se permita seduzir por homem algum, seja por suas palavras ou seus atos.
26. Tampouco te ponhas a falar ou agir sem que sejas com isso beneficiado.
27. Pondera e delibera antes de agir, modo a não incorrer em atos tolos.
28. É próprio do homem miserável falar e agir sem reflexão.
29. Faça o que não te afligirá no futuro, e nem te corroerá em arrependimento.
30. Jamais faça o que não compreendes.
31. Mas aprenda tudo que deves aprender, e por meio disso regalar-se-á de uma vida prazerosa.
32. De forma alguma negligencia a saúde de teu corpo;
33. Mas dá-lhe bebida e comida em medidas apropriadas, assim com o exercício de que necessita.
34. Entenda que os extremos não lhe serão salutares.
35. Acostuma-te com uma vida decente e ordenada, livre de luxúria.
36. Evita tudo o que ocasione inveja.
37. E não seja pródigo fora do tempo, saiba ser decente e honrado.
38. Tampouco seja invejoso ou avaro; a justa moderação é excelente em ambos os casos.
39. Faça apenas o que não te prejudicará, e delibera antes de proceder.
40. Jamais permita que o sono lhe cerre as pálpebras, ao deitares,
41. Até que tenhas examinado, com a razão, todas as ações de teu dia.
42. Em que falhei? Em que agi corretamente? O que deixei de fazer que deveria ter feito?
43. Se em teu exame descobrires falhas, seja severo em tua reprimenda;
44. E se houveres acertado, alegra-te.
45. Pratica largamente todas essas instâncias; medita bem sobre elas; deves amá-las com todo o coração.
46. Elevar-te-ão ao caminho da divina virtude.
47. Juro sobre aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado, a fonte da natureza, cuja causa é eterna.
48. Mas jamais inicia quaisquer trabalhos até que tenhas primeiro rogado aos deuses que realizes o que estás prestes a empreender.
49. Quando fizeres de tal procedimento hábito familiar,
50. Absorverás a constituição dos Deuses Imortais e dos homens.
51. Até mesmo o quão diferentes os seres podem ser, o que contêm e o que lhes é comum.
52. Saberás, em conformidade, que, de acordo com a Lei, a natureza deste universo é em todas as coisas una,
53. E assim não desejarás o que não deves; e nada neste mundo será escuso para ti.
54. Entenderás, assim, que os homens trazem infortúnios para si voluntariamente, por seu livre-arbítrio.
55. Infelizes que são! Não enxergam e nem entendem que o Bem está próximo a eles.
56. Poucos sabem manejar-se para longe de suas desventuras.
57. Tal é o fim que cega a humanidade e priva-a de seus sentidos.
58. Sob imensos cilindros que rolam avante e em retrocesso, sempre oprimida por males inumeráveis.
59. Por sua desunião fatal e inata, perseguem-na em toda parte, atirando-a para cima e para baixo sem que os homens percebam.
60. Sem provocar ou acelerar tal movimento, devem, ao entregar-se, evitá-lo.
61. Oh! Zeus, nosso Pai! se Tu livras todos os homens dos males que os afligem,
62. Mostra-lhes de que espírito lhes é conveniente fazer uso.
63. Não temas; a raça do homem é divina.
64. A sagrada Natureza desvela-lhes os segredos mais encobertos.
65. Se ela lhe comunica os mistérios, facilmente praticarás tudo aquilo que hei lhe ordenado.
66. E, pela cura de tua alma, a libertarás de todo mal, de toda aflição.
67. Mas abstêm-te das carnes, que hemos proibido nas purificações e na libertação da alma;
68. Faça delas justa distinção, e examina bem as coisas.
69. Deixa-te guiar e dirigir pelo entendimento superior, que a tudo orienta.
70. E quando, após o desenlace de teu corpo mortal, alcançares o puríssimo Étereo,
71. Serás então um Deus, imortal, incorruptível, e a Morte não mais terá domínio sobre ti.
Tradução de terceiro grau: MMG.
segunda-feira, 27 de junho de 2005
mais uma
as nuvens varridas em perspectiva elevaram o olhar, elevaram o pensamento, revelaram no quase contato.
chegar perto, aproximação que se comentava, mas agora investida de altruísmo.
pois então, mais uma vez fui caminhar e fiquei na dúvida sobre escrever um post. imitar não é possível, mas como irradiar o contato?
hoje, num certo ponto, fiquei cheia de lagrimazinhas por conta de um pedaço de árvore e céu, cada dia é uma coisa.
faço minha peripatética para chegar o mais perto possível de coisas puras, para com a minha presença indispensável no universo minimamente elevar o que é todos e cada um. porque assim alimento nossa disposição, acho que é possível sentir o irradiar.
mas prometo dar um tempo desse assunto de caminhada.
chegar perto, aproximação que se comentava, mas agora investida de altruísmo.
pois então, mais uma vez fui caminhar e fiquei na dúvida sobre escrever um post. imitar não é possível, mas como irradiar o contato?
hoje, num certo ponto, fiquei cheia de lagrimazinhas por conta de um pedaço de árvore e céu, cada dia é uma coisa.
faço minha peripatética para chegar o mais perto possível de coisas puras, para com a minha presença indispensável no universo minimamente elevar o que é todos e cada um. porque assim alimento nossa disposição, acho que é possível sentir o irradiar.
mas prometo dar um tempo desse assunto de caminhada.
quarta-feira, 22 de junho de 2005
eu sou rural
caminhadas no lago norte têm sido meu maior motivo de alegria.
o pretexto anunciado para elas é o exercício, e é claro que é uma razão importante.
mas confesso que tenho ido por causa da beleza de tudo. não vou tentar descrever, palavras são outra ordem de coisas. não vou expor ao ridículo o que eu vejo e sinto nas minhas peripatéticas monológicas. mas quando caminho penso, no intervalo dos assuntos a serem discutidos, sobre como gostaria que algumas pessoas experimentassem o mesmo que eu.
caminhadas salutares. às vezes 7h às vezes 16:40.
no lago norte bom.
o pretexto anunciado para elas é o exercício, e é claro que é uma razão importante.
mas confesso que tenho ido por causa da beleza de tudo. não vou tentar descrever, palavras são outra ordem de coisas. não vou expor ao ridículo o que eu vejo e sinto nas minhas peripatéticas monológicas. mas quando caminho penso, no intervalo dos assuntos a serem discutidos, sobre como gostaria que algumas pessoas experimentassem o mesmo que eu.
caminhadas salutares. às vezes 7h às vezes 16:40.
no lago norte bom.
quinta-feira, 16 de junho de 2005
aura amara
nos poemas de amor o poeta exalta a amada e diminui-se. considero essa manobra irônica... o que ele exalta é o poema, talvez um tanto a si mesmo e sua persona-escriturária. quem ama (ou assim acredita) e dirige seus clamores a outrem está possivelmente realizando o tipo de devoção que gostaria alguém tivesse a ele. é talvez mais insensato do que aceitar que o amor próprio é o único que realmente move as pessoas. que se projeta nos outros sempre o que se quer para si. ler pode ser fantasiar que se é o autor. escrever envolve a criação imaginária de um leitor ideal, que ninguém mais é do que si próprio.
buscar o amor, portanto, pode ser buscar um duplo. opostos podem ser interessantes por não carregarem a culpa da falta de modéstia do auto-amor, e também por muitas vezes realizarem o que não se deixa realizar, mas que é na verdade o eu que existe na mente.
pode ser que, se cultivado o amor-próprio, e assumido, o apreço pelo outro seja coisa mais comum. e não ciúme de si mesmo mascarado em orgulho, vaidade, posse, cobrança...
enquanto isso, tendo a ficar de altas. (ou autas? de onde surgiu isso hein?)
p.s.: pensando aqui: e se ele diz deixar sua vida de lado por outra, isso não é uma tremenda desculpa para não aprender nada? para não aperfeiçoar-se? mais uma vez defendo uma certa imodéstia, e até o total despudor em amar-se a si mesmo e cultivar esse amor. mas estou aberta a sugestões. e que fique claro que não acho que os bons poetas "de amor" são de fato amantes de uma donzela (a não ser que a língua ou a escritura sejam a tal). continuo a acreditar na ironia da palavra poética... as coisas de verdade não são representadas, mas sim praticadas ou, no mais das vezes, pensadas – sentidas. aproveito minhas inclinações por terceiros (ou segundos, dependendo de quem lê) para aquela manutenção diária e benfazeja de auto-crítica. e não desperdiço (ao menos idealmente) oportunidades de aprendizado nesse sentido com horas de fantasias e expectativas.
buscar o amor, portanto, pode ser buscar um duplo. opostos podem ser interessantes por não carregarem a culpa da falta de modéstia do auto-amor, e também por muitas vezes realizarem o que não se deixa realizar, mas que é na verdade o eu que existe na mente.
pode ser que, se cultivado o amor-próprio, e assumido, o apreço pelo outro seja coisa mais comum. e não ciúme de si mesmo mascarado em orgulho, vaidade, posse, cobrança...
enquanto isso, tendo a ficar de altas. (ou autas? de onde surgiu isso hein?)
p.s.: pensando aqui: e se ele diz deixar sua vida de lado por outra, isso não é uma tremenda desculpa para não aprender nada? para não aperfeiçoar-se? mais uma vez defendo uma certa imodéstia, e até o total despudor em amar-se a si mesmo e cultivar esse amor. mas estou aberta a sugestões. e que fique claro que não acho que os bons poetas "de amor" são de fato amantes de uma donzela (a não ser que a língua ou a escritura sejam a tal). continuo a acreditar na ironia da palavra poética... as coisas de verdade não são representadas, mas sim praticadas ou, no mais das vezes, pensadas – sentidas. aproveito minhas inclinações por terceiros (ou segundos, dependendo de quem lê) para aquela manutenção diária e benfazeja de auto-crítica. e não desperdiço (ao menos idealmente) oportunidades de aprendizado nesse sentido com horas de fantasias e expectativas.
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