sábado, 29 de janeiro de 2005

este titulo

este post

é um exercício de regurgitação. exercício de vomitar estruturas. de repetir estruturas em exercício. de estruturar o exercício do vômito. palavras nobres de feições, as próprias feições palavras e a nobreza é feição. enfeiar, ironizar, repetir. exaurir e regurgitar, criar um cheio, um massivo, um.
som, luz, espaço, gradação. agradabilidade, engrandece não degrada. este post é um exercício preso.

entrecortes de linhas cortes que desabilitam o tema. alcançada a tarefa? prenda-se o exercício, acontecimentos entremeados, cometer um post.

eu e o linguado, parte VI

hoje resolvi saber mais sobre o linguado como ser vivo, já que sei muito sobre ele como elemento textual. o linguado é um nome mais ou menos abrangente pra uma série de peixes da mesma família, os pleuronectídeos. comecei fazendo uma pesquisa simples no google por "linguado" e foi um pouco desconcertante ver a quantidade de receitas que existem... lembrei da parte do livro do günter grass em que as senhoras do júri decidem preparar o linguado na manteiga. fica mesmo ótimo. mas o que foi engracado é que fiquei um pouco assombrada, preferi pensar nele como ser vivo e muito vivo, na água, no sal, do que como comida. é bem engraçado e um pouco encantador pensar nesse mistério pessoal que acho que criei em torno do linguado, em como ele está presente e fixo no meu campo lexical, no campo imagético, ele tá aí. de qualquer maneira, descobri vários nomes científicos para designar as espécies mais conhecidas de linguado e solha, tem até um brasileiro. pleuronectes vem do grego pleuron, "costela" e nektos, "nadar".

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

E agora?

Posso dizer que estou formada.
Sou designer gráfica, e aí? O que vai acontecer agora?
Era pra eu ter passado na seleção do mestrado em teoria literária, porque então ficaria dois anos sendo paga para estudar o que gosto, depois emendaria mais quatro anos, e o resto é história. Agora tenho um ano inteiro pela frente antes de tentar de novo, mas não quero ser designer. Meu diploma vai olhar pra mim com ressentimento, talvez eu o ponha num quadrinho só pra alegrar a situação. E ainda por cima tenho que escrever um discurso de oradora pra formatura, logo que eu que não quero ser designer!
Se bem que essa é a melhor parte da bagunça. É a menos deslocada, porque envolve algo que quero fazer. Posso imaginar que sou uma ghostwriter escrevendo um discurso pra um aluno de design que não sabe redigir. Que cobrei uma taxa por ter que entrar também com as idéias e não só com o estilo e a correção, então ainda vou faturar. Vai que o aluno é filho da dona da academia de tênis, por exemplo, maior grana.

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Maíra Mendes Galvão
mairagalvao@terra.com.br

Serviços prestados:
• tradução e versão português/inglês
• leitura crítica de textos literários, ensaísticos e acadêmicos em geral
• consultoria de produção editorial (conceito visual)
• ghostwriting
• revisão em português e inglês

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E aí, prestou?
Ou é melhor assim:

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Maíra M.
Seja você mesmo um autor! Eu escrevo, você ganha o mérito, sigilo total.
Fazemos também tradução e versão, além de revisar seu português ou inglês!
Ainda oferecemos avaliação completa de texto e criamos o conceito visual: seu livro pronto e funcionando!
Escreva-nos já: mairagalvao@terra.com.br

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Hihi...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

Hoje e meu aniversario

e vou fazer uma lista do que quero:

1. PAZ
2. relaxar
3. relaxar
4. relaxar
5. curtir o sol lindíssimo que tá fazendo
6. ficar feliz
7. sorrir
8. comer
9. beber
10. ouvir música
11. ver as pessoas amadas
12. ver as pessoas ainda não amadas
13. passar batido pelas pessoas urubuzentas
14. tomar sorvete
15. não me preocupar com pn e fazer o que eu bem entender
16. que me paguem bebidas e comida porque hoje não tou com grana
17. respirarrrrrr
18. hmmm respirar de novo
19. ouvir música
20. tomar banho
21. lavar o cabelo
22. pensar na praia
23. ler o que eu bem quiser, e não porque tá na bibliografia
24. ver fotos
25. dar um abraço na minha mãe
26. ver meus primos
27. fazer alguma coisa inesperada
28. tacar o foda-se
29. oi, tudo bem?
30. obrigada!!!
31. comer crepe de graça
32. ter surpresas
33. qualquer coisa
34. dormir mais um pouquinho, mas só um pouco pra não perder nada
35. ser legal
36. parar com esta lista
37. ou não

taxonomias

são lindas =)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2005

depois da carga

depois que passaram seleção de mestrado e apresentação de diplomação, ficou um vazio grande, talvez até maior que o alívio. tudo bem... o que não pode é deixar de encontrar outras coisas pra preencher. e isso acontece com muita gente. e o que não falta é opção.
ah, estou quase de férias =)))

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

The day after today

Abby,
Fiz prova com a caneta vermelha, a tinta quase secou. O dia começou mais tarde, depois de um período não de horas, mas de nanocontinuum compartilhado em duas vozes. Estou com pouca vontade de ser solene... Duas goloss: tenor e barítona.
Hoje comprei molokoderivados e outros mimos para fazer o que prometi antes de você ficar à distância de cartas. E também um carmenere, cor de viúvo e enfermeiro, na promoção. Acho que esgotei minha gullliver de palavras.
Até bem logo,
Margot.

domingo, 16 de janeiro de 2005

post improvisado

não sei o que escrever e não estou a fim de planejar. vai sair com cara de momento.
procurando no google textos pra tentar engambelar na prova do mestrado. que vergonha de não ter estudado pra essa prova. a cada minuto que passa quero mais esse mestrado... quanto mais ele me escapa mais eu quero. mas ao mesmo tempo quanto mais me escapa mais não me importo em tentar o próximo. é. se não der nesse, pro outro eu estudo esses livros chatíssimos e prolixos da bibliografia e passo. e eu sei que no próximo semestre vai surgir algo outro pra eu fazer. um emprego, ou vários freelas. ou uma viagem. ou um brinquedo.
estou cansada mentalmente........... cansada demais pra ficar lendo páginas e páginas sobre como o mundo na boca do pantagruel poderia ser uma vila na frança e bla bla bla. mergulha, caramba! celacanto é mais legal do que água-viva.
ih, acabei de ver uma teia de aranha no meu porta-cd. se todo mundo limpasse teia de aranha o tempo todo elas teriam vida mais curta. talvez daqui a uns séculos isso fosse mesmo característica das aranhas. não sei o quanto as pessoas limpam teia de aranha, mas aqui em casa volta e meia tem. quando eu vejo uma, até tiro, mas sempre fico pensando nas aranhas.
quando eu como peixe penso nele nadando e com pele e penso no que ele come. até quando eu como mandioca, por exemplo, penso no que ela come. às vezes. e quando eu conto até dez penso em quando era criança. e quando como bolo de chocolate não penso em m... nenhuma. e quando estou com muito sono penso no cachorro da vizinha, em escada rolante, na textura dos dentes, no pedaço do céu à noite que fica acima do meu quintal ali atrás da minha cama, porque eu até já sei mais ou menos como ele é de cor.
ah, chega.

sábado, 15 de janeiro de 2005

top 5 do dia

TOP 5s de músicas que gosto de ouvir em seqüência
Do mesmo

1) I didn't understand e Everybody cares, everybody understands - Elliott Smith
2) Surf's Up e 'Till I die - Beach Boys
3) Nobody's fault but mine e Suzanne - Na voz de Nina Simone
4) Ovo e Bebê - Hermeto Paschoal
5) I am the ressurrection e Fool's Gold - Stone Roses

De dois diferentes

1) Green Typewriters (Olivia Tremor Control) e Supernaut (Black Sabbath)
2) Crosstown traffic (Jimi Hendrix) e Bonnie and Clyde (Serge Gainsbourg)
3) The great deceiver (King Crimson) e Come Together (Spiritualized)
4) Electricity (Spiritualized) e Blow up the outside world (Soundgarden)
5) Wah wah (George Harrison) e Light and Day (Polyphonic Spree)

TOP 5 músicas que gosto de ouvir sozinhas
1) Verklarte Nacht - Arnold Schoenberg
2) Peaches en Regalia - Frank Zappa
3) Under Pressure - Queen & David Bowie
4) El Pajaro - Lhasa
5) Stimmung - Stockhausen

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

hoje estou dodoi

e com vontade de escrever coisas simples.

todo ano faço festa de aniversário, quem é próximo sabe. neste ano desisti de fazer. acho que pode ser bom pra mim me concentrar em outras coisas. quero viajar e arrumar meu quarto, e pra isso preciso de paitrocínio, não quero que eles invistam numa festa, portanto. acho que dar a festa do próprio aniversário não deixa de ser um pouco solitário. uma tentativa de juntar um monte de gente te dando parabéns e tentativa de agradar todo mundo, também. é claro que é ótimo reunir pessoas queridas, comemorar passagens, celebrar. mas muita coisa mudou ano passado. eu mudei muito. acho que pode ser uma boa experiência deixar rolar. não planejar muito esse aniversário. confiar que vou estar perto das pessoas que eu gosto e que gostam de mim, independente de festa.
essa festa de aniversário ia ser também a comemoração da minha graduação, mas isso eu vou comemorar de qualquer jeito. no dia da apresentação do trabalho, na colação, enfim... vale a mesma lógica. a comemoração melhor e mais importante neste ano vai ser interna. sem querer soar como filme edificante, o fato é que tenho muito a dar valor e quero que o fechamento de mais um ciclo aconteça de forma natural, sem expectativas.

aliás, quem estiver lendo este blog e quiser ver a apresentação do meu projeto de final de curso, será na sexta feira dia 21 de janeiro, às 9h no auditório da reitoria da UnB.

Memorial da vida academica.

O projeto final do curso de Desenho Industrial ilustra propensão acadêmica vinda de berço: um livro de encadernação sem cadernos, organização prismática, estrutura de entremeios, multidsciplinaridade. Em meados de 2002, meio de curso, soluço de direção acadêmica. Quase mudança, cerceada pela decisão terminar o já iniciado. Assim, o letramento correu paralelo, em grupo de estudos extra-acadêmico, porém calcado em textos basilares teóricos, estéticos, literários. Aristóteles, Bakhtin, Barthes, Benjamin, Blanchot, Borges, Bornheim, Butor, Calvino, Campos, Campos, Compagnon, Cortázar, Derrida, Dourado, Eco, Eliot, Eyben, Foucault, Gadamer, Genette, Hegel, Heidegger, Jakobson, Kant, Kothe, Kristeva, Costa Lima, Maiakóvski, Mallarmé, Melo Neto, Nunes, OuLiPo, Paz, Perrone-Moisés, Platão, Ponge, Pound, Riffaterre, Rosa, Todorov, Torrano, Valéry. E ainda Kafka, Lispector, Saramago, Baudelaire, Celan, Poe, Homero, Arnaut Daniel, Cavalcanti, Villon, Donne, Flaubert, Dostoiévski, Carroll, Joyce, Eliot, Andrade, Popa, até a produção dos integrantes do grupo.
O passo a ser dado é desvelamento de estigma; casamento, é formalização aspirada desde as primeiras leituras: lombadas nas prateleiras inferiores, à altura dos olhos que ainda (já) não sabem a diferença, lêem não como signo e representação, mas como contingência, coisa, encanto próprio. O caminho é entrecruzado, mas não perde direção. Nele vêem-se trabalhos técnicos, muitos traços, volumes, cores, algum respiro de filosofia, talvez esteio. A pergunta que permeia todo ele, vinda dos que o assistem: mas e as letras? Em convergência não tão surpreendente quanto finalmente assumida e em vias de ser alcançada, aqui está, bate à porta.

(isso foi mandado pra inscrição no processo de seleção do mestrado...)

terça-feira, 11 de janeiro de 2005

Nanodear Abby S. Dear

Notar, permitir, provocar, evitar. Nanodiferenças. Escrevo-te sempre com uma caneta azul, esferográfica, ponta não-fina. O corpo dela é vermelho-transparente, cilíndrico por fora e facetado verticalmente por dentro. Na mediatriz do corpo, a marca: serigrafia branca, com telefone, de Brasília: Clarion. A tampa é vermelha quase transparente, fosca de textura microgranulada. Tem na ponta oposta à esfera um círculo, vermelho-opaco, quando a criança era criança gostava de mastigar e as canetas da casa ficavam desprotegidas. Proteção é uma palavra nanofeinha, mas uma boa palavra, estala na boca, depois dela vem o conforto. Outra por si só nanofeia, mas muito boa de dizer, traz alívio bom de travesseirinho. De deitar em forma de abraço. Você pega minhas nanopalavras e abre as entrelinhas um pouco só, e as deita; acho nanoformidável.

Não recebi a pergunta, estou bem, fazendo os extremos tocarem-se, fechando e abrindo ciclos, com serenidade e staccatos de calafrios. Assim é bom.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

Chuva, crescente.

Algumas coisas mudam de estado de forma quase brusca. Queria saber como funciona esse mecanismo. Aproximação não acontece pouco a pouco. Acontece enquanto a gente dorme, quando faz coisas que sempre fizemos. Acontece continuamente, nas associações ínfimas do espírito. Nas conexões inumeráveis e instantâneas do percurso. E, em determinado momento, emergem. Por que nesse ou naquele momento? Como saber qual sinapse, qual das conexões em meio ao massivo dinâmico? As coisas mudam de estado. Ou sempre estão e a perspectiva muda. Tiramos fotos de pontos emersos. Quão expostos são?