antes de chegar julho, quando fecharei o blog, preciso terminar de postar meus anúncios de saída do armário. o anterior a este, como podem ver, trata do meu lado crescente como consumista-consciente. este aqui, confessionário será de agruras vidabandidísticas.
* nunca gostei de ficar alterada – se um dia me embebedei e/ou fiz uso de drogas fumáveis, foi para não me sentir maricas perante os outros. quando bebo pouco e a bebida é coisa de qualidade, é pelo gosto e pelo clima, não para fica alterada. portanto, já que é passada a fase do medo de decepcionar, não me convidem para encher a cara e nem ficar muito doida!
* não tenho negócios a fazer em festinhas – costumava ir a festinhas com dois objetivos: ver meus amigos e partir pra guerra. aos poucos, percebi que não tenho inclinações bélicas que justifiquem a manobra. aprendi a gostar de dançar (o que significa que, quando de fato vou a alguma festa, é para isso). amigos, quero vê-los em casa, no bar, no restaurante, quem sabe no cinema – e agora admito, mais do que nunca – adoraria vê-los durante o dia também, fazer passeios agradáveis e salutares ou almoços ensolarados. festinhas costumam me dar a sensação de ser chinês no vaticano.
* o título do post nada tem a ver com o conteúdo, é evidente.
segunda-feira, 18 de junho de 2007
terça-feira, 12 de junho de 2007
feliz dia dos namorados
hoje estive no palácio do planalto e assisti a uma reunião de estudos sobre mudança climática. como o assunto está em todas as pautas de jornais por aí, deixo os comentários sobre ele de lado, não sem antes encorajar a todos que busquem se conscientizar. dêem uma olhada em www.mundosustentavel.com.br ou simplesmente busquem no google palavras-chave como "mudança climática" "climate change" "IPCC"...
ao final da última palestra, ocorreu o que eu estava esperando desde o início: discutiu-se o consumo. é um assunto um tanto bicudo, a maioria dos jornalistas evitam ou eufemizam. andré trigueiro, o palestrante em questão, foi deveras desviante ao dar sua opinião, que está alinhada à minha.
faz muito tempo que preciso sair do armário quanto a isso. mas sair de verdade. quem me conhece, sabe que tenho minhas restrições quanto a publicidade, mundo da moda, etc. mas o cenário é mais tétrico do que parece. de fato, nausicamente* abomino os padrões de consumo atuais. me sinto mal, me tira o sono, me deixa de mau humor saber que a grande maioria da população mundial tem sonhos um tanto quanto materialistas.
sinto cansaço até de elaborar o assunto, já apaguei umas 5 linhas escritas. enfim, acredito que o dia dos namorados, entre outras datas oportunamente criadas para o consumo, seja um bom ensejo para refletirmos melhor sobre nossos costumes. num país com consumo igualado ao modo de vida, tal como os eua, a emissão de gases de efeito estufa é absurda. os valores da população são absurdos. assistam ao canal e! da tv a cabo por alguns minutos e vejam do que estou falando. acho tristíssima essa perspectiva para o brasil, que, sim, caminha para ela.
decidi não comprar mais roupas de marca, a não ser que seja algo como casaco de muito frio, sei lá. agora vou comprar roupas e sapatos, na medida do possível, em feiras ou lojas que são microempresas, que quem faz a roupa é uma equipe de costureiras que vivem daquilo. e assim espero fazer, no futuro, com outras coisas também, como móveis, roupa de cama, enfim, quaisquer objetos que não envolvam alta tecnologia. quanto aos últimos: tentar usar ao máximo um computador antes de trocá-lo, o mesmo vale para aparelho celular e outros eletro-eletrônicos. não deixar aparelhos ligados já é uma medida. comprar alimentos orgânicos também. quem sabe coleta seletiva e compostagem estejam num futuro próximo. carro? nem pensar. não compro. exageros de vaidade como pintar cabelo, comprar mil maquiagens e fazer plásticas? não, não gosto mesmo. prefiro investir em cuidar dos dentes, da pele, da saúde e ficar bonita assim.
honestamente, acho que isso me dará um pouco mais de vontade de enfrentar os dias de sempre. ainda que em todos eles precise testemunhar o quanto a maioria das pessoas é alheia a tudo isso.
do que eu preciso pra ser feliz, se quero começar a consumir menos?
consumir menos é uma das coisas. as outras que preciso são: sair do armário e ser ativa sobre tais posicionamentos. ter amigos. não ter medo de ser ecochata, entre outras pechas. ouvir e fazer música. ter bons relacionamentos (de todo tipo, frise-se). ter saúde. ter contato com o meio ambiente natural. usar minhas faculdades para fins edificantes, ainda que não tão diretamente aplicáveis quanto consumo consciente.
* nausicamente = de forma nauseabunda e também um pouco ingênua (referência a nausícaa, personagem da odisséia)
ao final da última palestra, ocorreu o que eu estava esperando desde o início: discutiu-se o consumo. é um assunto um tanto bicudo, a maioria dos jornalistas evitam ou eufemizam. andré trigueiro, o palestrante em questão, foi deveras desviante ao dar sua opinião, que está alinhada à minha.
faz muito tempo que preciso sair do armário quanto a isso. mas sair de verdade. quem me conhece, sabe que tenho minhas restrições quanto a publicidade, mundo da moda, etc. mas o cenário é mais tétrico do que parece. de fato, nausicamente* abomino os padrões de consumo atuais. me sinto mal, me tira o sono, me deixa de mau humor saber que a grande maioria da população mundial tem sonhos um tanto quanto materialistas.
sinto cansaço até de elaborar o assunto, já apaguei umas 5 linhas escritas. enfim, acredito que o dia dos namorados, entre outras datas oportunamente criadas para o consumo, seja um bom ensejo para refletirmos melhor sobre nossos costumes. num país com consumo igualado ao modo de vida, tal como os eua, a emissão de gases de efeito estufa é absurda. os valores da população são absurdos. assistam ao canal e! da tv a cabo por alguns minutos e vejam do que estou falando. acho tristíssima essa perspectiva para o brasil, que, sim, caminha para ela.
decidi não comprar mais roupas de marca, a não ser que seja algo como casaco de muito frio, sei lá. agora vou comprar roupas e sapatos, na medida do possível, em feiras ou lojas que são microempresas, que quem faz a roupa é uma equipe de costureiras que vivem daquilo. e assim espero fazer, no futuro, com outras coisas também, como móveis, roupa de cama, enfim, quaisquer objetos que não envolvam alta tecnologia. quanto aos últimos: tentar usar ao máximo um computador antes de trocá-lo, o mesmo vale para aparelho celular e outros eletro-eletrônicos. não deixar aparelhos ligados já é uma medida. comprar alimentos orgânicos também. quem sabe coleta seletiva e compostagem estejam num futuro próximo. carro? nem pensar. não compro. exageros de vaidade como pintar cabelo, comprar mil maquiagens e fazer plásticas? não, não gosto mesmo. prefiro investir em cuidar dos dentes, da pele, da saúde e ficar bonita assim.
honestamente, acho que isso me dará um pouco mais de vontade de enfrentar os dias de sempre. ainda que em todos eles precise testemunhar o quanto a maioria das pessoas é alheia a tudo isso.
do que eu preciso pra ser feliz, se quero começar a consumir menos?
consumir menos é uma das coisas. as outras que preciso são: sair do armário e ser ativa sobre tais posicionamentos. ter amigos. não ter medo de ser ecochata, entre outras pechas. ouvir e fazer música. ter bons relacionamentos (de todo tipo, frise-se). ter saúde. ter contato com o meio ambiente natural. usar minhas faculdades para fins edificantes, ainda que não tão diretamente aplicáveis quanto consumo consciente.
* nausicamente = de forma nauseabunda e também um pouco ingênua (referência a nausícaa, personagem da odisséia)
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Bloomsday 2007
16 de junho, 20h, O'Rilley 409 sul
Apresentação cênica (e encadeada) de trechos das obras:
. Ulysses e Finnegans Wake, de James Joyce
. Odisséia, de Homero
. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
. Meu tio, o Iauaretê (conto), de Guimarães Rosa
Bloomsday é o nome dado ao dia em que Leopold Bloom sai a se aventurar por Dublin, no livro Ulysses. Esse dia, 16 de junho, é comemorado tradicionalmente na Irlanda e em outros lugares do mundo. Será a primeira vez de Brasília.
A encenação começa pontualmente às 20h.
Apresentação cênica (e encadeada) de trechos das obras:
. Ulysses e Finnegans Wake, de James Joyce
. Odisséia, de Homero
. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
. Meu tio, o Iauaretê (conto), de Guimarães Rosa
Bloomsday é o nome dado ao dia em que Leopold Bloom sai a se aventurar por Dublin, no livro Ulysses. Esse dia, 16 de junho, é comemorado tradicionalmente na Irlanda e em outros lugares do mundo. Será a primeira vez de Brasília.
A encenação começa pontualmente às 20h.
terça-feira, 5 de junho de 2007
a era das promessas
vou contar pros meus leitores uma história real e perfeitamente decifrável, neste mês que é véspera do ocaso do presente blog.
nasci prematura, de 8 meses. mamãe disse que não pôde me segurar. foi parto normal e risonho (ela fazia yoga); saí pequeniníssima e magríssima, morena. depois do primeiro banho, fiquei loira. e a maíra primogênita loirinha olhava torto,olhava meio incomodado. nasci com catarata. falei minha primeira palavra aos 9 meses, e ela foi "luz!", acompanhada por dedo que mostrava lâmpada. apesar do olho direito como duplo fantasma, aprendi a ler sozinha, mas não sei com que idade. sei que antes de proferir minha primeira palavra lida – LINGUADO – aos 4 anos, já identificava palavras nas lombadas de livros moradores das prateleiras inferiores, sem saber que isso era ler. uma dessas dizia "O Linguado, de Günther Grass" e achei que grass fosse o nome da minha mãe (Graça), só que meio estranho (não me lembro se já entendia o que eram outras línguas). mas não foi daí que li (em voz alta) minha primeira palavra, foi de um pôster com fotos e nomes de peixes que havia perto da estante do telefone. só sei que tinha linguado e robalo, os outros não me lembro. hoje em dia penso que falei "linguado" em voz alta porque identifiquei a mesma palavra. mas, secretamente, acredito que foi porque gostei dela. um futuro promissor, sim senhor. anos depois, na pré-adolescência, li um conto de grimm sobre um pescador e sua mulher (Ilsebill). o pescador, ao ver a solha no anzol, atira-a de volta ao mar, ao que ela responde com uma oferta de alguma graça concedida. a mulher pede uma casa maior, e a tem no dia seguinte. todos os dias o pescador pega a tal solha e a manobra se repete: os pedidos de Ilsebill ficam cada vez mais ambiciosos (e o mar mais agitado) até que ela pede para ser dono do universo (assim mesmo, flexão masculina) e volta a ser uma pobre mulher de pescador. esse foi meu preferido do livro, que até guardei. em 2002 comecei um curso de leitura e produção de textos e fiz, como exercício, um conto ligeiramente inspirado nesse dos irmãos grimm, mas usei um linguado ao invés de solha. (opa) de fato, eu não sabia que linguado e solha são peixes da mesma espécie. descobri casualmente, ao conversar com alguém do nordeste. monomania aguçada, resolvi finalmente ler o tal "O Linguado, de Günther Grass" – ainda habitante das prateleiras de baixo (de outra estante) – e meu futuro promissor veio abaixo quando descobri que o tal alemão também gostou do conto de Grimm e escreveu o romance com a mesma idéia de efeito que o meu subserviente exercício de escritura. certo, certo, meu futuro promissor não caiu por causa disso, mas é uma história que justifica muitas referências ícticas que faço por aí, assim como outras coisas nesse campo lexical/semântico.
depois disso, houve modificações substanciais no meu exercício (que se chamou "O Rejunte das Águas") e ele foi publicado no jornalzinho da FAU e não traduzido e editado pela Nova Fronteira. também fiz outros exercícios literários, alguns deles disfarçadamente publicados aqui, mas estou numa pausa que já dura bem mais de um ano. assim acontece não só com minhas inclinações escriturísticas, mas também com todas as outras (abundantes) inclinações que tenho. já há quase um ano não produzo nada e nem registro nada (desmemória mesmo, eu que por muito tempo fui elefante), nenhuma promessa se concretizou. o linguado, sem saber, foi minha musa até agora. acho que (assim como meu pai, que só pinta peixes), talvez deva me desatrelar. ou isso não faz a menor diferença. sei que estou, salvo engano trágico, numa segunda era das promessas (ainda não realizadas, sublinhe-se), e assim escolho interpretar meu mergulho peterpânico que agora quero fazer emergir como um adulto (que EXISTE, SIM) promissor.
rock n'roll.
nasci prematura, de 8 meses. mamãe disse que não pôde me segurar. foi parto normal e risonho (ela fazia yoga); saí pequeniníssima e magríssima, morena. depois do primeiro banho, fiquei loira. e a maíra primogênita loirinha olhava torto,olhava meio incomodado. nasci com catarata. falei minha primeira palavra aos 9 meses, e ela foi "luz!", acompanhada por dedo que mostrava lâmpada. apesar do olho direito como duplo fantasma, aprendi a ler sozinha, mas não sei com que idade. sei que antes de proferir minha primeira palavra lida – LINGUADO – aos 4 anos, já identificava palavras nas lombadas de livros moradores das prateleiras inferiores, sem saber que isso era ler. uma dessas dizia "O Linguado, de Günther Grass" e achei que grass fosse o nome da minha mãe (Graça), só que meio estranho (não me lembro se já entendia o que eram outras línguas). mas não foi daí que li (em voz alta) minha primeira palavra, foi de um pôster com fotos e nomes de peixes que havia perto da estante do telefone. só sei que tinha linguado e robalo, os outros não me lembro. hoje em dia penso que falei "linguado" em voz alta porque identifiquei a mesma palavra. mas, secretamente, acredito que foi porque gostei dela. um futuro promissor, sim senhor. anos depois, na pré-adolescência, li um conto de grimm sobre um pescador e sua mulher (Ilsebill). o pescador, ao ver a solha no anzol, atira-a de volta ao mar, ao que ela responde com uma oferta de alguma graça concedida. a mulher pede uma casa maior, e a tem no dia seguinte. todos os dias o pescador pega a tal solha e a manobra se repete: os pedidos de Ilsebill ficam cada vez mais ambiciosos (e o mar mais agitado) até que ela pede para ser dono do universo (assim mesmo, flexão masculina) e volta a ser uma pobre mulher de pescador. esse foi meu preferido do livro, que até guardei. em 2002 comecei um curso de leitura e produção de textos e fiz, como exercício, um conto ligeiramente inspirado nesse dos irmãos grimm, mas usei um linguado ao invés de solha. (opa) de fato, eu não sabia que linguado e solha são peixes da mesma espécie. descobri casualmente, ao conversar com alguém do nordeste. monomania aguçada, resolvi finalmente ler o tal "O Linguado, de Günther Grass" – ainda habitante das prateleiras de baixo (de outra estante) – e meu futuro promissor veio abaixo quando descobri que o tal alemão também gostou do conto de Grimm e escreveu o romance com a mesma idéia de efeito que o meu subserviente exercício de escritura. certo, certo, meu futuro promissor não caiu por causa disso, mas é uma história que justifica muitas referências ícticas que faço por aí, assim como outras coisas nesse campo lexical/semântico.
depois disso, houve modificações substanciais no meu exercício (que se chamou "O Rejunte das Águas") e ele foi publicado no jornalzinho da FAU e não traduzido e editado pela Nova Fronteira. também fiz outros exercícios literários, alguns deles disfarçadamente publicados aqui, mas estou numa pausa que já dura bem mais de um ano. assim acontece não só com minhas inclinações escriturísticas, mas também com todas as outras (abundantes) inclinações que tenho. já há quase um ano não produzo nada e nem registro nada (desmemória mesmo, eu que por muito tempo fui elefante), nenhuma promessa se concretizou. o linguado, sem saber, foi minha musa até agora. acho que (assim como meu pai, que só pinta peixes), talvez deva me desatrelar. ou isso não faz a menor diferença. sei que estou, salvo engano trágico, numa segunda era das promessas (ainda não realizadas, sublinhe-se), e assim escolho interpretar meu mergulho peterpânico que agora quero fazer emergir como um adulto (que EXISTE, SIM) promissor.
rock n'roll.
segunda-feira, 4 de junho de 2007
roacutango em do menor
me fizeste uma promessa
cá estou a esperar
te concedo minha saúde, omessa
enquanto estás a me esfalfar
meu rosto dilacerado
meus lábios a sangrar
ai de mim, ai minhas entranhas
murmuro ao manquejar
em depaupério
em desvario
na cama a esmorecer
meu coração, tão sombrio
meu escrever, ora tão sério
cá desejam te escarnecer
mas, espere, ainda no peito
nutrida esperança a medrar
em sua delonga, a minha cura
ó, doce escravatura
nem em ébria me posso tornar
suportar os grilhões do eito
assim, me curvo, será feito
e aqui, portanto, assim lhe afigura
sua serva, a lhe celebrar
(e, de novo, a falta de paralelismo)
cá estou a esperar
te concedo minha saúde, omessa
enquanto estás a me esfalfar
meu rosto dilacerado
meus lábios a sangrar
ai de mim, ai minhas entranhas
murmuro ao manquejar
em depaupério
em desvario
na cama a esmorecer
meu coração, tão sombrio
meu escrever, ora tão sério
cá desejam te escarnecer
mas, espere, ainda no peito
nutrida esperança a medrar
em sua delonga, a minha cura
ó, doce escravatura
nem em ébria me posso tornar
suportar os grilhões do eito
assim, me curvo, será feito
e aqui, portanto, assim lhe afigura
sua serva, a lhe celebrar
(e, de novo, a falta de paralelismo)
untitled
apaguei o post sobre os testemunhos, já que o objetivo dele foi parcialmente mal entendido. não tem problema algum, no entanto, e precisava mesmo postar um anúncio de outra natureza por aqui.
é que, em julho deste ano, meu blog faz 3 anos. haverá uma cerimônia de rito de passagem (descobri amá-los) em que este aqui linguado encerrará suas atividades e dará lugar ao novo lococionário (sic).
achei por bem a pompa e a circunstância visitarem o que começou tão casualmente a pontuar momentos do tipo 'dor no joelho infantil'. é, dor de crescimento.
não que ela não vá mais existir, mas creio que é a hora de eu agir gravemente e dizer que meu próximo blog, esse sim, será super sério.
super hiper.
dou mais notícias oportunamente. desculpem a falta de paralelismo, eu gosto um pouco.
=*
é que, em julho deste ano, meu blog faz 3 anos. haverá uma cerimônia de rito de passagem (descobri amá-los) em que este aqui linguado encerrará suas atividades e dará lugar ao novo lococionário (sic).
achei por bem a pompa e a circunstância visitarem o que começou tão casualmente a pontuar momentos do tipo 'dor no joelho infantil'. é, dor de crescimento.
não que ela não vá mais existir, mas creio que é a hora de eu agir gravemente e dizer que meu próximo blog, esse sim, será super sério.
super hiper.
dou mais notícias oportunamente. desculpem a falta de paralelismo, eu gosto um pouco.
=*
sábado, 12 de maio de 2007
quinta-feira, 10 de maio de 2007
skewing the sky, still blue, sky
nas últimas duas semanas, tive sonhos do tipo compensatórios. (sic)
digam o que quiserem, nem sempre é assim, ao menos não tão declaradamente quanto os últimos.
mas a mente tem um pouco de deuses nela, mesmo que só a sombra, e ela é sábia quando realiza nos sonhos somente as coisas pequenas que deseja durante o dia. se compensasse as grandes coisas, talvez eu demoraria mais para dizer e assumir que o dia é minha oportunidade de fazer algo que, aos poucos, vá tornar meus sonhos menos compensatórios e mais suplementares.
nesse espaço entre parágrafos, pensei que talvez deva experimentar parar de expor meus comentários com o protagonista 'as pessoas'. terminava por levar as arengas para a generalização, dessa forma. ou pregação, o que é ainda mais periclitante. confesso que o usei muito ('as pessoas') por não querer que meu blog fosse um festival de 'eus'. mas enfim, é um maldito blog. ou bendito, que, além de tudo, é uma palavra mais agradável. ou era antes do nosso papa decimus sextus.
enfim, eu, meu modelo de resolução das coisas que tem surgido é disciplinado. organiza-se e quer ter metas. aquela antiga beleza que via na aleatoriedade e na indefinição mudou de ângulo. e, assim, pode entrar pela porta mais estreita dos meus perto de 30 anos. tornou-se não a beleza em si, mas uma parte dela necessária para que mudanças ocorram. a beleza em si é ela mesma, multi e inominada, maciça e pregnante. e sim, ela me acena com mais vigor por passos de precisão, acertos, cumprir depois de augurar, augúrios matemáticos e redondos. meu abraço cada vez mais segura aspirações de compromisso com etapas várias do caminho até a morte (quiçá depois: e não-linear muito embora ordenado), com decisões não-espúrias, disciplina muito saborosa e ainda mais que não ouso, agora, registrar aqui. e vive. essa é minha vida.
digam o que quiserem, nem sempre é assim, ao menos não tão declaradamente quanto os últimos.
mas a mente tem um pouco de deuses nela, mesmo que só a sombra, e ela é sábia quando realiza nos sonhos somente as coisas pequenas que deseja durante o dia. se compensasse as grandes coisas, talvez eu demoraria mais para dizer e assumir que o dia é minha oportunidade de fazer algo que, aos poucos, vá tornar meus sonhos menos compensatórios e mais suplementares.
nesse espaço entre parágrafos, pensei que talvez deva experimentar parar de expor meus comentários com o protagonista 'as pessoas'. terminava por levar as arengas para a generalização, dessa forma. ou pregação, o que é ainda mais periclitante. confesso que o usei muito ('as pessoas') por não querer que meu blog fosse um festival de 'eus'. mas enfim, é um maldito blog. ou bendito, que, além de tudo, é uma palavra mais agradável. ou era antes do nosso papa decimus sextus.
enfim, eu, meu modelo de resolução das coisas que tem surgido é disciplinado. organiza-se e quer ter metas. aquela antiga beleza que via na aleatoriedade e na indefinição mudou de ângulo. e, assim, pode entrar pela porta mais estreita dos meus perto de 30 anos. tornou-se não a beleza em si, mas uma parte dela necessária para que mudanças ocorram. a beleza em si é ela mesma, multi e inominada, maciça e pregnante. e sim, ela me acena com mais vigor por passos de precisão, acertos, cumprir depois de augurar, augúrios matemáticos e redondos. meu abraço cada vez mais segura aspirações de compromisso com etapas várias do caminho até a morte (quiçá depois: e não-linear muito embora ordenado), com decisões não-espúrias, disciplina muito saborosa e ainda mais que não ouso, agora, registrar aqui. e vive. essa é minha vida.
terça-feira, 8 de maio de 2007
sky blue sky
voltei pra casa de ônibus no começo da noite, passei por dois descampados. nas duas vezes o céu me fez andar com a boca aberta e o perigo iminente de tropeçar ou engolir mosquito. sem contar o de ser abocanhada por algum malfeitor escondido em moita. adoraria poder caminhar mais à noite.
quando passei pelo primeiro descampado, estava escutando o sky blue sky do wilco, e pela primeira vez gostei muito que doeu. nels cline reafirma-se como um dos meus guitarristas atuais preferidos.
quando passei pelo segundo, estava com cat power, escutando o the greatest.
não dá pra dizer. não dá, eu tento, mas é complicado. sabe, às vezes queria que alguém entrasse dentro de mim quando passo por esses momentos. só pra saber como é. sem sexual innuendo, por favor. ao menos em princípio.
porque quando o céu é límpido assim, me dá aquela velha sensação já tão descrita aqui de morar no universo, e o universo sendo um poço de limpidez azul escura com estrelinhas, mas estrelinhas bonitas de verdade, não essas que a gentarada tatua por aí. e com nuvens de vapores. e a lua, etc e tal.
mas é bom estar na terra e não flutuando por lá, porque se pode contrastar o sky blue sky com verdes e chãos, e músicas. mas um dia, quem sabe, nem disso vou sentir falta.
p.s.: outro dia foi parhelia no fim da tarde, mas esse tirei foto e não escrevi nada. aliás, o fenômeno parhelia é muito interessante, quem quiser, google it.
quando passei pelo primeiro descampado, estava escutando o sky blue sky do wilco, e pela primeira vez gostei muito que doeu. nels cline reafirma-se como um dos meus guitarristas atuais preferidos.
quando passei pelo segundo, estava com cat power, escutando o the greatest.
não dá pra dizer. não dá, eu tento, mas é complicado. sabe, às vezes queria que alguém entrasse dentro de mim quando passo por esses momentos. só pra saber como é. sem sexual innuendo, por favor. ao menos em princípio.
porque quando o céu é límpido assim, me dá aquela velha sensação já tão descrita aqui de morar no universo, e o universo sendo um poço de limpidez azul escura com estrelinhas, mas estrelinhas bonitas de verdade, não essas que a gentarada tatua por aí. e com nuvens de vapores. e a lua, etc e tal.
mas é bom estar na terra e não flutuando por lá, porque se pode contrastar o sky blue sky com verdes e chãos, e músicas. mas um dia, quem sabe, nem disso vou sentir falta.
p.s.: outro dia foi parhelia no fim da tarde, mas esse tirei foto e não escrevi nada. aliás, o fenômeno parhelia é muito interessante, quem quiser, google it.
terça-feira, 17 de abril de 2007
coisas que impedem a postagem
questões que sempre me acometeram concernentes ao escrevimento de blog.
aí:
• como criticar sem parecer recalque?
• como manifestar uma insatisfação geral e não parecer específica?
• como alimentar um blog que é pessoal e não quer ser superexposto?
interessante como nossa vida individualista (segundo já discuti um pouco em outros posts) também tende a direcionar reclamações a especificidades, e a condenar críticas diretas. elaboro: se posto um poema da adélia como o do post abaixo, pode parecer que de fato estou chorando ou esperando um 'ele' específico. nenhuma das duas afirmações é verdadeira. ambas são específicas. o efeito mais geral do poema, no entanto, é bem mais rico do que isso e responde melhor ao que eu gostaria de expressar. outra: se tenho uma crítica a fazer sobre o comportamento de um grupo de pessoas (seja lá o tamanho, pode ser uma dupla de amigos ou a sociedade ocidental... ou os representantes de um gênero), o fato de ser uma crítica por si só muitas vezes qualifica o proponente de recalcado. claro, às vezes existem outras razões para que seja rotulado dessa forma. mas sim, nossos indivíduos não estão abertos a críticas, seja a eles mesmos seja àqueles que lhe são semelhantes.
está aberta a discussão.
aí:
• como criticar sem parecer recalque?
• como manifestar uma insatisfação geral e não parecer específica?
• como alimentar um blog que é pessoal e não quer ser superexposto?
interessante como nossa vida individualista (segundo já discuti um pouco em outros posts) também tende a direcionar reclamações a especificidades, e a condenar críticas diretas. elaboro: se posto um poema da adélia como o do post abaixo, pode parecer que de fato estou chorando ou esperando um 'ele' específico. nenhuma das duas afirmações é verdadeira. ambas são específicas. o efeito mais geral do poema, no entanto, é bem mais rico do que isso e responde melhor ao que eu gostaria de expressar. outra: se tenho uma crítica a fazer sobre o comportamento de um grupo de pessoas (seja lá o tamanho, pode ser uma dupla de amigos ou a sociedade ocidental... ou os representantes de um gênero), o fato de ser uma crítica por si só muitas vezes qualifica o proponente de recalcado. claro, às vezes existem outras razões para que seja rotulado dessa forma. mas sim, nossos indivíduos não estão abertos a críticas, seja a eles mesmos seja àqueles que lhe são semelhantes.
está aberta a discussão.
segunda-feira, 9 de abril de 2007
A serenata
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Adélia Prado
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Adélia Prado
quinta-feira, 5 de abril de 2007
ainda malcriada
hoje fiz uma torta de ratatouille com cream cheese e massa integral com castanha de caju e ainda por cima pus a mesa e lavei a salada e ninguém veio almoçar!
bastardos!
não gosto de cozinhar pra fantasma!
=D
bastardos!
não gosto de cozinhar pra fantasma!
=D
segunda-feira, 2 de abril de 2007
profecia malcriada do dia
não adianta ser legal, ser o máximo, ser exemplar.
se você, MULHER, está numa relação (seja de um dia seja de anos) com um homem, vai sempre estar em posição de desvantagem. quero dizer, no relacionamento. mas, é claro, pode sempre ser uma pessoa que mantém suas próprias vantagens.
ele vai sempre ter mais boa vontade com os amigos. vai ter coragem de ter sentimentos pelos amigos. até pelo cachorro. mas por você, vai se borrar. você vai ser sinônimo de fardo, mesmo nas horas boas. elas serão interpretadas como um problema, pois se ele ficar mal-acostumado, pode acabar se comprometendo de verdade.
aquelas meninas desinteressantes de repente vão ter alguma coisa que o instiga.
ele vai se sentir nobre, no entanto, ao lhe deixar e dizer que foi melhor assim, que ele não te faz bem.
e quando eles lerem posts do teor deste, ou ouvirem isso pelo telefone, vão achar que você é desesperada. não vão considerar a possibilidade de você saber estar bem sozinha, mas querer lutar por melhores condições quando não estiver sozinha.
qualquer conversa sobre isso será desespero. será carência, na visão deles.
é assim: o mundo tá aí sofrendo consequências da ordem mundial e quem quer lutar contra isso é chamado de ecochato. pois bem. os relacionamentos também estão uma bela merda e quem quer lutar contra isso é chamado de carente.
se você, MULHER, está numa relação (seja de um dia seja de anos) com um homem, vai sempre estar em posição de desvantagem. quero dizer, no relacionamento. mas, é claro, pode sempre ser uma pessoa que mantém suas próprias vantagens.
ele vai sempre ter mais boa vontade com os amigos. vai ter coragem de ter sentimentos pelos amigos. até pelo cachorro. mas por você, vai se borrar. você vai ser sinônimo de fardo, mesmo nas horas boas. elas serão interpretadas como um problema, pois se ele ficar mal-acostumado, pode acabar se comprometendo de verdade.
aquelas meninas desinteressantes de repente vão ter alguma coisa que o instiga.
ele vai se sentir nobre, no entanto, ao lhe deixar e dizer que foi melhor assim, que ele não te faz bem.
e quando eles lerem posts do teor deste, ou ouvirem isso pelo telefone, vão achar que você é desesperada. não vão considerar a possibilidade de você saber estar bem sozinha, mas querer lutar por melhores condições quando não estiver sozinha.
qualquer conversa sobre isso será desespero. será carência, na visão deles.
é assim: o mundo tá aí sofrendo consequências da ordem mundial e quem quer lutar contra isso é chamado de ecochato. pois bem. os relacionamentos também estão uma bela merda e quem quer lutar contra isso é chamado de carente.
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