sexta-feira, 7 de janeiro de 2005
Abby!
Acabo de voltar de um banho de luz. Siga o dia e procure o sol. Vá até o sol. O som que imediatamente não me ocorreu, ao invés dele a boa sorte. Abri as janelas, assim. Recolhi os cacos. Enrolei. Abri. Gestos vocais de menina, menos rude do que o esperado. Seguiu-se de outro ponto, esse mais comprido, milhas mais longe, abrace-me agora. O sol entrava, um pouco, o suficiente. O sol já marcado em mim. O sol que é o mesmo. Foi natural então seguir-se o dia, alcançar o sol. O som do sol, tão mas tão agradável que parece cosquinha. Ou areia um pouco fina. Uma onda não muito forte. Brisa. No meio da tranqüilidade me fiz mais uma vez a pergunta. O que é isso?
quinta-feira, 6 de janeiro de 2005
Oi Abby,
só uma nota rápida.
Não construa nada em cima de nuvem de polaridades. Não agora. Deixe que se construam por si mesmas as decorrências, na verdade é sempre assim. Ou parece assim para nós que somos truncados quanto mais queremos silogismos perfeitos.
Não construa nada em cima de nuvem de polaridades. Não agora. Deixe que se construam por si mesmas as decorrências, na verdade é sempre assim. Ou parece assim para nós que somos truncados quanto mais queremos silogismos perfeitos.
HSIEN, 31
dear abby,
a carta verdadeira é a que foi publicada. a escrita antes dela é uma tentativa de estabelecer comunicação ordinária. a+b. só que não gosto de tratar as coisas que me tocam de forma ordinária. se dependesse de mim, quase tudo na minha vida seria extraordinário. quem sabe um dia chego lá.
ontem (hoje) de madrugada comecei a escrever mais uma carta, mesmo antes da resposta, como já está virando costume =)
chamaria-se HSIEN, seria esse o título que eu poria. ela começaria assim:
"Uma daquelas respostas que sempre quis obter. Ela veio, não para afligir, mas para acalmar. Alimentar a confiança. Confiar em diversos caminhos possíveis. Deixa sair, assim como deixou entrar. É bom e bonito o movimento de boas-vindas, e foi quase inesperado, coisa que só se toma nota depois que acontece."
mas estava esgotada, não terminei.
hoje saí de casa decidida a ampliar a distância. a recalibrar as distâncias. porque são várias e diferentes. algumas delas estão sendo contidas por essas cartas, cartas e muitas vozes que fazem tocar extremidades. extremos são atraentes. temíveis, atraentes, distantes, triunfos. mas também cargas, pontas, objetos cosmológicos. campos magnéticos.
eu tenho vontade de explorar os extremos. mas tenho medo. enquanto me atraem e repelem, sinto-me preenchida e radiante.
mas volta a mim a idéia da ampliação. talvez eu possa fazer dela algo extraordinário também, e assim abraçar essa idéia com mais força. abraçar a amplitude da decisão de dar um passo atrás. honestamente, me ocorreu agora que a amplitude está em toda parte, passo a frente passo atrás, sempre o espaço. o mundo é largo. é longo. é pontual. pensa: america. o quão amplo é esse signo, esse ponto america. o quão longo. seu percurso pontual e deliciosamente comprido?
acho que mais dia menos dia vou ter que te mostrar a carta falsa. talvez o ordinário tenha que emergir. já devia ter emergido, de acordo com a lei planetária. perdoe-me por meu gosto abusivo pelo extraordinário. realmente espero que você me possa perdoar. não é fácil, mas é extremamente atrativo ter que agir em terreno alienígena, estranho, volúvel, feito de expectativas e julgamentos, um pouco de impressões. sem poder medir exatamente o grau de interação. sendo um parâmetro incerto.
só mais uma pergunta: como você soube, abby abby, que a carta era pra você?
a carta verdadeira é a que foi publicada. a escrita antes dela é uma tentativa de estabelecer comunicação ordinária. a+b. só que não gosto de tratar as coisas que me tocam de forma ordinária. se dependesse de mim, quase tudo na minha vida seria extraordinário. quem sabe um dia chego lá.
ontem (hoje) de madrugada comecei a escrever mais uma carta, mesmo antes da resposta, como já está virando costume =)
chamaria-se HSIEN, seria esse o título que eu poria. ela começaria assim:
"Uma daquelas respostas que sempre quis obter. Ela veio, não para afligir, mas para acalmar. Alimentar a confiança. Confiar em diversos caminhos possíveis. Deixa sair, assim como deixou entrar. É bom e bonito o movimento de boas-vindas, e foi quase inesperado, coisa que só se toma nota depois que acontece."
mas estava esgotada, não terminei.
hoje saí de casa decidida a ampliar a distância. a recalibrar as distâncias. porque são várias e diferentes. algumas delas estão sendo contidas por essas cartas, cartas e muitas vozes que fazem tocar extremidades. extremos são atraentes. temíveis, atraentes, distantes, triunfos. mas também cargas, pontas, objetos cosmológicos. campos magnéticos.
eu tenho vontade de explorar os extremos. mas tenho medo. enquanto me atraem e repelem, sinto-me preenchida e radiante.
mas volta a mim a idéia da ampliação. talvez eu possa fazer dela algo extraordinário também, e assim abraçar essa idéia com mais força. abraçar a amplitude da decisão de dar um passo atrás. honestamente, me ocorreu agora que a amplitude está em toda parte, passo a frente passo atrás, sempre o espaço. o mundo é largo. é longo. é pontual. pensa: america. o quão amplo é esse signo, esse ponto america. o quão longo. seu percurso pontual e deliciosamente comprido?
acho que mais dia menos dia vou ter que te mostrar a carta falsa. talvez o ordinário tenha que emergir. já devia ter emergido, de acordo com a lei planetária. perdoe-me por meu gosto abusivo pelo extraordinário. realmente espero que você me possa perdoar. não é fácil, mas é extremamente atrativo ter que agir em terreno alienígena, estranho, volúvel, feito de expectativas e julgamentos, um pouco de impressões. sem poder medir exatamente o grau de interação. sendo um parâmetro incerto.
só mais uma pergunta: como você soube, abby abby, que a carta era pra você?
quarta-feira, 5 de janeiro de 2005
Abby, Abby,
De volta ao papel. Fui à tela escrever-te uma carta menos texto, mais clara. Mas não era eu, era confusão e muito barulho causado por falta de vaidade. Como já havia dito, vaidade é motor de muita coisa. Sem ela, não há identidade. Pensa em tudo o que não existiria não fosse a vaidade. É impossível conceber, já que esse mesmo pensamento é viabilizado por ela.
Mais um dia, mais uma carta. Mais texto. Confusão e entremeios vão sempre existir, assim como tentativas de solução. Assim como quase-atitudes altruístas de não-intervenção. Agora pensa bem: não tem como não intervir. Talvez seja melhor admitir, assumir. Viver a intervenção até o talo, procurá-la, perseguir o fulcro das coisas, saber que ele se move.
Mais um dia, mais falta de condições, mais afeto. Espaço. Estou me movimentando. Percebeu que estou quase ignorando as colocações pronominais? Ter consciência é ter escolha de transgredir. Fazer isso com regras gramaticais é estilo, displicência ou só algo que não acarreta muito, passa sem ser notado. Coisa de iniciados. Quem é iniciado em mim? Em você? Em mundo-(eu+você)? Não existe. Por isso, existe transgressão? Alguém é iniciado, afinal de contas, em alguém? O mundo pode ser subtraído? Pode haver resultado para a adição infinita que deve ser o mundo? São só palavras, muletas usadas para que eu não pare de sentir a (interrupção para uma versão turbo hiper mega plus do que eu ia descrever)
comentário post scriptum: sinto-me subversiva. assim como alex pós-reversão. ahhh, alívio. salvei a carta em tela num canto, para registrar que existe. mas esta é a verdadeira. as entrelinhas falam mais alto e atuam sem falsidade. sinceridade dura segundos. essa é uma frase a se considerar que foi feita na carta em tela. sinceridade dura segundos, existem correntes dela fragmentadas, passando pelas entrelinhas. quando tentei falar pelas linhas certas, ficou sem ter por onde passar. de tanto querer que existisse. enfim. agora sim.
Mais um dia, mais uma carta. Mais texto. Confusão e entremeios vão sempre existir, assim como tentativas de solução. Assim como quase-atitudes altruístas de não-intervenção. Agora pensa bem: não tem como não intervir. Talvez seja melhor admitir, assumir. Viver a intervenção até o talo, procurá-la, perseguir o fulcro das coisas, saber que ele se move.
Mais um dia, mais falta de condições, mais afeto. Espaço. Estou me movimentando. Percebeu que estou quase ignorando as colocações pronominais? Ter consciência é ter escolha de transgredir. Fazer isso com regras gramaticais é estilo, displicência ou só algo que não acarreta muito, passa sem ser notado. Coisa de iniciados. Quem é iniciado em mim? Em você? Em mundo-(eu+você)? Não existe. Por isso, existe transgressão? Alguém é iniciado, afinal de contas, em alguém? O mundo pode ser subtraído? Pode haver resultado para a adição infinita que deve ser o mundo? São só palavras, muletas usadas para que eu não pare de sentir a (interrupção para uma versão turbo hiper mega plus do que eu ia descrever)
comentário post scriptum: sinto-me subversiva. assim como alex pós-reversão. ahhh, alívio. salvei a carta em tela num canto, para registrar que existe. mas esta é a verdadeira. as entrelinhas falam mais alto e atuam sem falsidade. sinceridade dura segundos. essa é uma frase a se considerar que foi feita na carta em tela. sinceridade dura segundos, existem correntes dela fragmentadas, passando pelas entrelinhas. quando tentei falar pelas linhas certas, ficou sem ter por onde passar. de tanto querer que existisse. enfim. agora sim.
dear abby,
Provavelmente não tenho o direito de escrever assim. Perdoe meu excesso, é coisa de quem nunca escreve sem vaidade. Parece que muitas coisas são movidas a vaidade. É difícil, acho, até mesmo saber onde começa e termina a vaidade. Ou ela camufla-se de sentimento ou não faz muita diferença. Poderia pensar sempre que o que vale é a presença. O fenômeno e não a "verdade". Provável que não haja verdade nas emoções. Quem inventou verdade foi a razão, inventada para suportar a emoção. Nesse caso não se pode ignorar a razão também. Ela participa do fenômeno. Tanto que esta "carta" existe. O que aparece mais, o texto ou o motor dele? O texto. Ele é o próprio motor. Escrevo para escrever. Não quero alcançar nada que não seja um texto. Agora praticamente sou um texto. Leia, ele pode alcançar-te como não mais que um texto. Qualquer outra coisa é criação sua, razão. Mas por ser uma espécie de carta, posso ter que admitir mais do que texto. Uma nuvem de vapor difuso, sem verdades ou inverdades, sem carga para que seja classificado. Um monte de coisas sem contraste, piscam e apagam, já fiz isso muitas vezes. É sempre igual por sempre ser diferente. Uma cultura proliferando-se sem controle, sem meio até, só ela escapando. Sem alcance. Com todo o universo ao mesmo tempo. A coisa vai inevitavelmente para esse lado. Do universo. Sabia que de fato o texto está sendo composto à mão, caneta, papel e madrugada? De pequenas pistas de fluxos mentais, palavras já conhecidas, arquétipos pessoais. Não tenho o direito de ir além. Ser prosaico é um bem, recolher-se. Querer segurar o instante, não funciona. Talvez nem no texto. Tenho dificuldade em aceitar a evolução das coisas, quero sempre dinamismo inoculado, coágulo de fluxos, fotos. Progresso pessoal feito de inúmeros coágulos. Vou dar um e vários sorrisos, comemorar o texto, abraçar seja lá o que.
Não é hora ainda de parar, ainda reajo, não mudou a cor. Talvez tenha voltado só para dizer que a ponta do fio está desencapada e que finalmente estou começando a achar isto engraçado. Usar metáforas ao invés de pura evasão, o que é isso? Não respondo, não faz mal, estou com sono. Agradeço. Rezo para pessoas como eu, não muito para o céu, um tanto mais para a própria reza. Peço às pessoas em minha reza para que olhem por mim e por si mesmas e para que tenham paciência. Peço a mim que busque paz e não se esqueça de diversificar. De ser abrangente. Pegue a caneta. Feche os olhos. Abra antes de ser levada. Desligue até o último aparelho com estática. Deixe a luz necessária para o texto. Escute a chuva. Faça planos para amanhã. Deseje bem às pessoas queridas. Dê adeus ao texto, diga que é soprado que nem cola; um texto de recomendação, agradecimento, presença ainda que pontual, amor incondicional.
Não é hora ainda de parar, ainda reajo, não mudou a cor. Talvez tenha voltado só para dizer que a ponta do fio está desencapada e que finalmente estou começando a achar isto engraçado. Usar metáforas ao invés de pura evasão, o que é isso? Não respondo, não faz mal, estou com sono. Agradeço. Rezo para pessoas como eu, não muito para o céu, um tanto mais para a própria reza. Peço às pessoas em minha reza para que olhem por mim e por si mesmas e para que tenham paciência. Peço a mim que busque paz e não se esqueça de diversificar. De ser abrangente. Pegue a caneta. Feche os olhos. Abra antes de ser levada. Desligue até o último aparelho com estática. Deixe a luz necessária para o texto. Escute a chuva. Faça planos para amanhã. Deseje bem às pessoas queridas. Dê adeus ao texto, diga que é soprado que nem cola; um texto de recomendação, agradecimento, presença ainda que pontual, amor incondicional.
domingo, 2 de janeiro de 2005
tia do rock? acho que nao.
ainda está ali embaixo um post que escrevi sobre ser uma tia do rock, coisa e tal.
apesar de meu gosto musical ainda ser um samba do crioulo doido, de eu de fato não ter abandonado de vez o rock, acho que parei com a mania de sentir-me velha. isso era um absurdo ululante. e argumentos com bases obscuras são os melhores. já que todo argumento é um pouco fetichista.
ando divertida nesses rocks da vida, vestindo a camisa (e a saia curta) sem piedade. fomentando, se tudo der certo, a famigerada fila. contradizendo, ciclotimizando o crioulo. não é doido, é bipolar. eu não, ele.
espero que seja genuíno. ou melhor, se for genuíno, que diferença faz? a presença é que conta. o importante é estar presente. quando se está ausente, é presença em lugar nenhum. ou em outro que pode ser um pouco diferente do primeiro, só um pouco, um erro de tipografia.
ontem fiz biscoito de aveia e não deu certo. e assisti um filme comendo pipoca, sem que elas acabassem, porque o filme não era do tipo de comer pipoca, mas sim de tomar um leitinho.
apesar de meu gosto musical ainda ser um samba do crioulo doido, de eu de fato não ter abandonado de vez o rock, acho que parei com a mania de sentir-me velha. isso era um absurdo ululante. e argumentos com bases obscuras são os melhores. já que todo argumento é um pouco fetichista.
ando divertida nesses rocks da vida, vestindo a camisa (e a saia curta) sem piedade. fomentando, se tudo der certo, a famigerada fila. contradizendo, ciclotimizando o crioulo. não é doido, é bipolar. eu não, ele.
espero que seja genuíno. ou melhor, se for genuíno, que diferença faz? a presença é que conta. o importante é estar presente. quando se está ausente, é presença em lugar nenhum. ou em outro que pode ser um pouco diferente do primeiro, só um pouco, um erro de tipografia.
ontem fiz biscoito de aveia e não deu certo. e assisti um filme comendo pipoca, sem que elas acabassem, porque o filme não era do tipo de comer pipoca, mas sim de tomar um leitinho.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2004
metamorphose
em homenagem ao lugar onde corto cabelo, o METAMORPHOSE, vou trocar todos os ephes deste post por ph.
pois então, phaziam anos que eu não cortava os cabelos mais do que um ou dois centímetros. e aí resolvi cortar, acho que a phesta de domingo deu-me motivação pra isso. engraçado, até pouco tempo atrás não conseguia nem pensar em cortar, e tinha até pesadelos com isso. como boa philha de classe média, tive que phicar pensando que é muito sintomático. acho que resolvi cortar porque provavelmente senti um clique de mudança. é, porque as coisas andavam meio na sombra ultimamente. e então cortei, e phiquei impressionada com o epheito. sinto-me muito, muitíssimo melhor, parece mágica. não estou euphórica, ainda bem, porque euphoria é perigoso, mas poxa... alívio. sinto-me mais leve, menos matusalém, renovada.... ahahha
.
piada interna: mulher....ÍNTEGRA... moderna, independente.... ARROJADA... chique.... autônoma... EMANCIPADA... =D
este post dedico às minhas primas queridas: quarta phuracão, os bophes que organizem a phila!!!
pois então, phaziam anos que eu não cortava os cabelos mais do que um ou dois centímetros. e aí resolvi cortar, acho que a phesta de domingo deu-me motivação pra isso. engraçado, até pouco tempo atrás não conseguia nem pensar em cortar, e tinha até pesadelos com isso. como boa philha de classe média, tive que phicar pensando que é muito sintomático. acho que resolvi cortar porque provavelmente senti um clique de mudança. é, porque as coisas andavam meio na sombra ultimamente. e então cortei, e phiquei impressionada com o epheito. sinto-me muito, muitíssimo melhor, parece mágica. não estou euphórica, ainda bem, porque euphoria é perigoso, mas poxa... alívio. sinto-me mais leve, menos matusalém, renovada.... ahahha
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piada interna: mulher....ÍNTEGRA... moderna, independente.... ARROJADA... chique.... autônoma... EMANCIPADA... =D
este post dedico às minhas primas queridas: quarta phuracão, os bophes que organizem a phila!!!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2004
margot tenenbaum
Vou ser franca. Dou festas para ver pessoas. Mas prefiro dormir mais cedo, prefiro sentar e jantar e tomar vinho. Dançar é bom, é uma vantagem de dar festa, você escolhe o som, até certo ponto. E foi ótimo. Mas eu dou festas pra ver pessoas, isso é fato. E agora mais do que nunca: pra sair do Orkut e ver as pessoas interagindo na vida real. E fora de um ambiente insalubre como Space Bar. E acho que dou festas à fantasia para comunicar coisas sem ter que falar.
Ontem estávamos falando sobre filas. Como tem gente com uma fila atrás. E muitas vezes essas pessoas não são claramente as mais interessantes ou mais bonitas, mas têm alguma coisa que propicia formação de filas... Eu não me lembro de alguma vez ter alguma coisa com gente assim... mas já entrei em filas e sei que não vale a pena. E mais, acho que às vezes só servem pra acabar com a auto-estima. Prefiro pensar que deve ser melhor não ter fila, que deve, no final das contas, ser melhor que os interessados sejam poucos e que se aproximem por razões que freqüentadores de fila não entenderiam, ou recusariam. De fato consigo ver porque não tenho fila, e não é por alguma causa específica física ou um defeito estranho. Tem horas que incomoda, mas em geral acho que é melhor.
Comparo as duas Maíras deste ano e entendo, e vejo agora, depois de pensar um pouco, as duas parecidas mais do que achei que fossem. Não é fácil expor o que acontece de verdade. Acho que muito pouca gente faz isso, apesar de propagar o contrário. As duas tentam adequar-se o tempo todo, ser aceitas. E depois saem de situações sociais com ressaca moral, ou consciencial, sei lá. Isso não é uma coisa ruim, é bem natural e é bom que seja questionado. A de verdade não se mostra pra muita gente, no final das contas. Parece.
Ontem estávamos falando sobre filas. Como tem gente com uma fila atrás. E muitas vezes essas pessoas não são claramente as mais interessantes ou mais bonitas, mas têm alguma coisa que propicia formação de filas... Eu não me lembro de alguma vez ter alguma coisa com gente assim... mas já entrei em filas e sei que não vale a pena. E mais, acho que às vezes só servem pra acabar com a auto-estima. Prefiro pensar que deve ser melhor não ter fila, que deve, no final das contas, ser melhor que os interessados sejam poucos e que se aproximem por razões que freqüentadores de fila não entenderiam, ou recusariam. De fato consigo ver porque não tenho fila, e não é por alguma causa específica física ou um defeito estranho. Tem horas que incomoda, mas em geral acho que é melhor.
Comparo as duas Maíras deste ano e entendo, e vejo agora, depois de pensar um pouco, as duas parecidas mais do que achei que fossem. Não é fácil expor o que acontece de verdade. Acho que muito pouca gente faz isso, apesar de propagar o contrário. As duas tentam adequar-se o tempo todo, ser aceitas. E depois saem de situações sociais com ressaca moral, ou consciencial, sei lá. Isso não é uma coisa ruim, é bem natural e é bom que seja questionado. A de verdade não se mostra pra muita gente, no final das contas. Parece.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2004
apaga (porque isto nao e um poema)
apaga pra dar sentido
cala a boca pra escutar
não pensa pra entender
escreve pra organizar
sem "eu", para existir
sem "ele", para afirmar
sem "nós" para refletir
oco para desvelar
dois para retribuir
um pra contrariar
dois para reconhecer
três para realizar
acaba pra dar sentido
fecha a boca pra ensurdecer
abraça, respira, incorpora
aumenta, diminui, evapora.
(é letra de música. sim ou não?)
cala a boca pra escutar
não pensa pra entender
escreve pra organizar
sem "eu", para existir
sem "ele", para afirmar
sem "nós" para refletir
oco para desvelar
dois para retribuir
um pra contrariar
dois para reconhecer
três para realizar
acaba pra dar sentido
fecha a boca pra ensurdecer
abraça, respira, incorpora
aumenta, diminui, evapora.
(é letra de música. sim ou não?)
terça-feira, 14 de dezembro de 2004
Minha irma
Minha irmã de quinze anos fez um estrago no meu coração. Bendito estrago...
Fui assisti-la dançando – ela sapateia e dança jazz – no espetáculo de final de ano da academia em que faz aula. Acho que fui pensando um pouco que seria mais uma apresentação bonitinha, coisa de irmão pequeno, que você dá parabéns condescendentemente ao final. Mas a minha irmã é linda, no palco é mais do que linda, e ela dança muito bem. Minha irmãzinha que eu vi nascer é uma mulher, ou quase, e uma bela de uma dançarina! Num espetáculo super produzido.
Eu chorei, e não foi pouco. Não só por estar feliz por ela, que inclusive foi promovida e agora faz parte de um grupo de dança de fato, mas também pelo tempo em que fiz questão de afastar-me dela... Sempre tive tanta má vontade com as conversas e atitudes da coitadinha, e ela sempre me tratou muito bem, sempre seguiu timidamente alguns passos meus, até. Ela lembra-se de coisas tão pessoais e peculiares sobre mim. Sei disso agora porque nos últimos dias resolvi escutar minha irmã, passar tempo perto dela, e não consigo parar de dar-lhe presentinhos. Que boba eu. Isso é pra mostrar como as pessoas são equivocadas às vezes, e imaturas, e teimosas. Só uma palinha mesmo.
Ah, e foi muito bom não ter orgulho, e dizer a ela que eu a amo, e que ela tem um futuro e tanto pela frente.
Fui assisti-la dançando – ela sapateia e dança jazz – no espetáculo de final de ano da academia em que faz aula. Acho que fui pensando um pouco que seria mais uma apresentação bonitinha, coisa de irmão pequeno, que você dá parabéns condescendentemente ao final. Mas a minha irmã é linda, no palco é mais do que linda, e ela dança muito bem. Minha irmãzinha que eu vi nascer é uma mulher, ou quase, e uma bela de uma dançarina! Num espetáculo super produzido.
Eu chorei, e não foi pouco. Não só por estar feliz por ela, que inclusive foi promovida e agora faz parte de um grupo de dança de fato, mas também pelo tempo em que fiz questão de afastar-me dela... Sempre tive tanta má vontade com as conversas e atitudes da coitadinha, e ela sempre me tratou muito bem, sempre seguiu timidamente alguns passos meus, até. Ela lembra-se de coisas tão pessoais e peculiares sobre mim. Sei disso agora porque nos últimos dias resolvi escutar minha irmã, passar tempo perto dela, e não consigo parar de dar-lhe presentinhos. Que boba eu. Isso é pra mostrar como as pessoas são equivocadas às vezes, e imaturas, e teimosas. Só uma palinha mesmo.
Ah, e foi muito bom não ter orgulho, e dizer a ela que eu a amo, e que ela tem um futuro e tanto pela frente.
domingo, 12 de dezembro de 2004
( )
Uma vez houve uma pessoa que foi embora e depois voltou. Eu nunca fui boa o suficiente para essa pessoa. Depois que ele foi embora novamente, escrevi, escrevi e escrevi para ele. Pensava em como poderia melhorar cada palavra para que ele se tornasse o que eu fantasiava que fosse. Para que eu fosse o que fantasiava que ele pensava sobre mim. Ele foi embora porque tinha de ir, mas para ele isso parecia menos do que para mim. Ele estava perto. Eu estava maravilhosamente distante, aparando os cantos da nossa história juntos. Devo-lhe alguma coisa? É fácil dizer que sim. Mas não há precisão nessa medida. Só sei que ele voltou o quanto pôde, viveu; e eu apenas escrevi, escrevi e escrevi. Todo dia percebo mais a fundo que nunca de fato parei de escrever. Algumas poucas vezes, e só. Agora, depois de muitas idas e vindas de outros, sei que escrever mandou embora o que não cabia no papel. E o que não cabia era justamente o que havia de melhor. Agora escrevo para gerar entrelinhas, e ainda não tive coragem de dar boas-vindas a ninguém.
sábado, 4 de dezembro de 2004
mudando de assunto,
estou aqui comendo o que restou do MELHOR CHEESE CAKE DO OESTE.
Hmmm.... Modéstia à parte, muito à parte: dessa vez superei-me.
Fiz ontem um cheese cake bicolor e bisabor: metade goiabada metade cupuaçu. Ficou bom demais. Sempre prefiro com goiabada (como diz meu pai, romeu e julieta sofisticado), mas a parte de cupuaçu ficou ótima também. Mas realmente foi o melhor que fiz, o recheio ficou perfeito em consistência e em grau de acidez. O forno foi de mestre: mais tempo e menos potência.
Ahh. Nada como ser a maior fã do seu próprio rebento. Entendo as mamis corujas...
Hmmm.... Modéstia à parte, muito à parte: dessa vez superei-me.
Fiz ontem um cheese cake bicolor e bisabor: metade goiabada metade cupuaçu. Ficou bom demais. Sempre prefiro com goiabada (como diz meu pai, romeu e julieta sofisticado), mas a parte de cupuaçu ficou ótima também. Mas realmente foi o melhor que fiz, o recheio ficou perfeito em consistência e em grau de acidez. O forno foi de mestre: mais tempo e menos potência.
Ahh. Nada como ser a maior fã do seu próprio rebento. Entendo as mamis corujas...
cai num caldeirao de maconha quando era bebe
É tão difícil encontrar pessoas que não fumam maconha. Bom, pelo menos pessoas que não fumam porque não sentem falta mesmo.
Eu não tenho muitas restrições morais a isso, mas simplesmente não sinto falta, e inclusive acredito que maconha atrapalha um pouco a vida. Sei lá, eu gosto de sempre ter minha consciência intacta... e consigo ter "barato" sem usar drogas. Acho que sair pra caminhar num dia lindo aqui no Lago Norte me dá muito mais barato do que qualquer maconha. Nossa, é muito fácil. Ponho o pé pra fora de casa e, dez passos à frente, já começo a ter arrepios na coluna de tantas sensações boas que tenho. É só um exemplo. O pé nem precisa estar fora de casa...
Sinto-me privilegiada por isso. Mas sei que é uma espécie de esforço pessoal, também. Há anos que cultivo epifanias... =)
O lado ruim de ser assim é que não dá pra esperar encontrar por aí pessoas que compartilhem as epifanias. É muito pessoal, difícil de dividir, ainda mais quando a maioria está ocupada fumando um. Bom, na maior parte do tempo não me importo de ser algo tão individual. Mas às vezes importo-me sim.
As pessoas são muito únicas. Relacionamentos implicam altíssimo grau de boa vontade, desprendimento, humildade e paciência, para valerem a pena. E o mais engraçado é que a maioria dos relacionamentos não têm isso. Vão-se arrastando por aí, baseados em posse, ciúme, conforto, conveniência. Tudo em nome de um sentimento que fica ali meio escondido... É muito esquisito. Queria ir fazer um estágio na comunidade do Burkina Faso em que morava a Sobonfu Somé. Lá NADA é individual. Seria um choque, é óbvio. Provavelmente eu teria um ataque de pânico no aviâo, antes de chegar lá. Mas de repente levar umas pauladas assim seria uma boa... Bem, mas se não estou levando, é porque meu aprendizado é diferente. Podia ter um aprendômetro pra gente saber quanto está DE FATO aprendendo. Ô coisa difícil de medir. Cacete.
Esse grau de controle não existe nem nunca vai existir. Não existe nem mesmo mais ou menos aprendizado. O que existe são convenções. O resto é pum de estrela, como dizem por aí. Hahhaha...
Segundo as convenções de onde nasci e cresci, a individualidade é muito importante. É importante, importante, importantíssima! Não existe UMA pessoa que conheço que não tenha dado cabeçadas na parede por causa de orgulho. É o calcanhar de Aquiles dos homens, mas é uma peça importante no "desenvolvimento" da nossa civilização. Ser civilizado é ser orgulhoso, preservar o senso comum, preservar o senso de individualidade.
Ó céus, como isso é CAROCENTO!
Se tem uma coisa que me dá pânico instantâneamente é perceber que faço parte de algo coletivo e maior, perder as rédeas da minha unidade, individualidade. Toda vez que tenho um "insight" disso, começo a tremer, suar frio, ter taquicardia, enjôo, tontura, perco chão... Que lástima de sentimento de humanidade!
Sentir vontade de virar bicho do mato mas saber que não é possível. Sentir vontade de não ter conflitos, mas saber que não é possível. Santa ansiedade.
Ficar bem, feliz e tranquila mesmo com todo esse fuá. Isso é possível, bem possível. E sem maconha. Mas não agora, daqui a pouco, já já...
Eu não tenho muitas restrições morais a isso, mas simplesmente não sinto falta, e inclusive acredito que maconha atrapalha um pouco a vida. Sei lá, eu gosto de sempre ter minha consciência intacta... e consigo ter "barato" sem usar drogas. Acho que sair pra caminhar num dia lindo aqui no Lago Norte me dá muito mais barato do que qualquer maconha. Nossa, é muito fácil. Ponho o pé pra fora de casa e, dez passos à frente, já começo a ter arrepios na coluna de tantas sensações boas que tenho. É só um exemplo. O pé nem precisa estar fora de casa...
Sinto-me privilegiada por isso. Mas sei que é uma espécie de esforço pessoal, também. Há anos que cultivo epifanias... =)
O lado ruim de ser assim é que não dá pra esperar encontrar por aí pessoas que compartilhem as epifanias. É muito pessoal, difícil de dividir, ainda mais quando a maioria está ocupada fumando um. Bom, na maior parte do tempo não me importo de ser algo tão individual. Mas às vezes importo-me sim.
As pessoas são muito únicas. Relacionamentos implicam altíssimo grau de boa vontade, desprendimento, humildade e paciência, para valerem a pena. E o mais engraçado é que a maioria dos relacionamentos não têm isso. Vão-se arrastando por aí, baseados em posse, ciúme, conforto, conveniência. Tudo em nome de um sentimento que fica ali meio escondido... É muito esquisito. Queria ir fazer um estágio na comunidade do Burkina Faso em que morava a Sobonfu Somé. Lá NADA é individual. Seria um choque, é óbvio. Provavelmente eu teria um ataque de pânico no aviâo, antes de chegar lá. Mas de repente levar umas pauladas assim seria uma boa... Bem, mas se não estou levando, é porque meu aprendizado é diferente. Podia ter um aprendômetro pra gente saber quanto está DE FATO aprendendo. Ô coisa difícil de medir. Cacete.
Esse grau de controle não existe nem nunca vai existir. Não existe nem mesmo mais ou menos aprendizado. O que existe são convenções. O resto é pum de estrela, como dizem por aí. Hahhaha...
Segundo as convenções de onde nasci e cresci, a individualidade é muito importante. É importante, importante, importantíssima! Não existe UMA pessoa que conheço que não tenha dado cabeçadas na parede por causa de orgulho. É o calcanhar de Aquiles dos homens, mas é uma peça importante no "desenvolvimento" da nossa civilização. Ser civilizado é ser orgulhoso, preservar o senso comum, preservar o senso de individualidade.
Ó céus, como isso é CAROCENTO!
Se tem uma coisa que me dá pânico instantâneamente é perceber que faço parte de algo coletivo e maior, perder as rédeas da minha unidade, individualidade. Toda vez que tenho um "insight" disso, começo a tremer, suar frio, ter taquicardia, enjôo, tontura, perco chão... Que lástima de sentimento de humanidade!
Sentir vontade de virar bicho do mato mas saber que não é possível. Sentir vontade de não ter conflitos, mas saber que não é possível. Santa ansiedade.
Ficar bem, feliz e tranquila mesmo com todo esse fuá. Isso é possível, bem possível. E sem maconha. Mas não agora, daqui a pouco, já já...
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