Vou ser franca. Dou festas para ver pessoas. Mas prefiro dormir mais cedo, prefiro sentar e jantar e tomar vinho. Dançar é bom, é uma vantagem de dar festa, você escolhe o som, até certo ponto. E foi ótimo. Mas eu dou festas pra ver pessoas, isso é fato. E agora mais do que nunca: pra sair do Orkut e ver as pessoas interagindo na vida real. E fora de um ambiente insalubre como Space Bar. E acho que dou festas à fantasia para comunicar coisas sem ter que falar.
Ontem estávamos falando sobre filas. Como tem gente com uma fila atrás. E muitas vezes essas pessoas não são claramente as mais interessantes ou mais bonitas, mas têm alguma coisa que propicia formação de filas... Eu não me lembro de alguma vez ter alguma coisa com gente assim... mas já entrei em filas e sei que não vale a pena. E mais, acho que às vezes só servem pra acabar com a auto-estima. Prefiro pensar que deve ser melhor não ter fila, que deve, no final das contas, ser melhor que os interessados sejam poucos e que se aproximem por razões que freqüentadores de fila não entenderiam, ou recusariam. De fato consigo ver porque não tenho fila, e não é por alguma causa específica física ou um defeito estranho. Tem horas que incomoda, mas em geral acho que é melhor.
Comparo as duas Maíras deste ano e entendo, e vejo agora, depois de pensar um pouco, as duas parecidas mais do que achei que fossem. Não é fácil expor o que acontece de verdade. Acho que muito pouca gente faz isso, apesar de propagar o contrário. As duas tentam adequar-se o tempo todo, ser aceitas. E depois saem de situações sociais com ressaca moral, ou consciencial, sei lá. Isso não é uma coisa ruim, é bem natural e é bom que seja questionado. A de verdade não se mostra pra muita gente, no final das contas. Parece.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2004
quarta-feira, 15 de dezembro de 2004
apaga (porque isto nao e um poema)
apaga pra dar sentido
cala a boca pra escutar
não pensa pra entender
escreve pra organizar
sem "eu", para existir
sem "ele", para afirmar
sem "nós" para refletir
oco para desvelar
dois para retribuir
um pra contrariar
dois para reconhecer
três para realizar
acaba pra dar sentido
fecha a boca pra ensurdecer
abraça, respira, incorpora
aumenta, diminui, evapora.
(é letra de música. sim ou não?)
cala a boca pra escutar
não pensa pra entender
escreve pra organizar
sem "eu", para existir
sem "ele", para afirmar
sem "nós" para refletir
oco para desvelar
dois para retribuir
um pra contrariar
dois para reconhecer
três para realizar
acaba pra dar sentido
fecha a boca pra ensurdecer
abraça, respira, incorpora
aumenta, diminui, evapora.
(é letra de música. sim ou não?)
terça-feira, 14 de dezembro de 2004
Minha irma
Minha irmã de quinze anos fez um estrago no meu coração. Bendito estrago...
Fui assisti-la dançando – ela sapateia e dança jazz – no espetáculo de final de ano da academia em que faz aula. Acho que fui pensando um pouco que seria mais uma apresentação bonitinha, coisa de irmão pequeno, que você dá parabéns condescendentemente ao final. Mas a minha irmã é linda, no palco é mais do que linda, e ela dança muito bem. Minha irmãzinha que eu vi nascer é uma mulher, ou quase, e uma bela de uma dançarina! Num espetáculo super produzido.
Eu chorei, e não foi pouco. Não só por estar feliz por ela, que inclusive foi promovida e agora faz parte de um grupo de dança de fato, mas também pelo tempo em que fiz questão de afastar-me dela... Sempre tive tanta má vontade com as conversas e atitudes da coitadinha, e ela sempre me tratou muito bem, sempre seguiu timidamente alguns passos meus, até. Ela lembra-se de coisas tão pessoais e peculiares sobre mim. Sei disso agora porque nos últimos dias resolvi escutar minha irmã, passar tempo perto dela, e não consigo parar de dar-lhe presentinhos. Que boba eu. Isso é pra mostrar como as pessoas são equivocadas às vezes, e imaturas, e teimosas. Só uma palinha mesmo.
Ah, e foi muito bom não ter orgulho, e dizer a ela que eu a amo, e que ela tem um futuro e tanto pela frente.
Fui assisti-la dançando – ela sapateia e dança jazz – no espetáculo de final de ano da academia em que faz aula. Acho que fui pensando um pouco que seria mais uma apresentação bonitinha, coisa de irmão pequeno, que você dá parabéns condescendentemente ao final. Mas a minha irmã é linda, no palco é mais do que linda, e ela dança muito bem. Minha irmãzinha que eu vi nascer é uma mulher, ou quase, e uma bela de uma dançarina! Num espetáculo super produzido.
Eu chorei, e não foi pouco. Não só por estar feliz por ela, que inclusive foi promovida e agora faz parte de um grupo de dança de fato, mas também pelo tempo em que fiz questão de afastar-me dela... Sempre tive tanta má vontade com as conversas e atitudes da coitadinha, e ela sempre me tratou muito bem, sempre seguiu timidamente alguns passos meus, até. Ela lembra-se de coisas tão pessoais e peculiares sobre mim. Sei disso agora porque nos últimos dias resolvi escutar minha irmã, passar tempo perto dela, e não consigo parar de dar-lhe presentinhos. Que boba eu. Isso é pra mostrar como as pessoas são equivocadas às vezes, e imaturas, e teimosas. Só uma palinha mesmo.
Ah, e foi muito bom não ter orgulho, e dizer a ela que eu a amo, e que ela tem um futuro e tanto pela frente.
domingo, 12 de dezembro de 2004
( )
Uma vez houve uma pessoa que foi embora e depois voltou. Eu nunca fui boa o suficiente para essa pessoa. Depois que ele foi embora novamente, escrevi, escrevi e escrevi para ele. Pensava em como poderia melhorar cada palavra para que ele se tornasse o que eu fantasiava que fosse. Para que eu fosse o que fantasiava que ele pensava sobre mim. Ele foi embora porque tinha de ir, mas para ele isso parecia menos do que para mim. Ele estava perto. Eu estava maravilhosamente distante, aparando os cantos da nossa história juntos. Devo-lhe alguma coisa? É fácil dizer que sim. Mas não há precisão nessa medida. Só sei que ele voltou o quanto pôde, viveu; e eu apenas escrevi, escrevi e escrevi. Todo dia percebo mais a fundo que nunca de fato parei de escrever. Algumas poucas vezes, e só. Agora, depois de muitas idas e vindas de outros, sei que escrever mandou embora o que não cabia no papel. E o que não cabia era justamente o que havia de melhor. Agora escrevo para gerar entrelinhas, e ainda não tive coragem de dar boas-vindas a ninguém.
sábado, 4 de dezembro de 2004
mudando de assunto,
estou aqui comendo o que restou do MELHOR CHEESE CAKE DO OESTE.
Hmmm.... Modéstia à parte, muito à parte: dessa vez superei-me.
Fiz ontem um cheese cake bicolor e bisabor: metade goiabada metade cupuaçu. Ficou bom demais. Sempre prefiro com goiabada (como diz meu pai, romeu e julieta sofisticado), mas a parte de cupuaçu ficou ótima também. Mas realmente foi o melhor que fiz, o recheio ficou perfeito em consistência e em grau de acidez. O forno foi de mestre: mais tempo e menos potência.
Ahh. Nada como ser a maior fã do seu próprio rebento. Entendo as mamis corujas...
Hmmm.... Modéstia à parte, muito à parte: dessa vez superei-me.
Fiz ontem um cheese cake bicolor e bisabor: metade goiabada metade cupuaçu. Ficou bom demais. Sempre prefiro com goiabada (como diz meu pai, romeu e julieta sofisticado), mas a parte de cupuaçu ficou ótima também. Mas realmente foi o melhor que fiz, o recheio ficou perfeito em consistência e em grau de acidez. O forno foi de mestre: mais tempo e menos potência.
Ahh. Nada como ser a maior fã do seu próprio rebento. Entendo as mamis corujas...
cai num caldeirao de maconha quando era bebe
É tão difícil encontrar pessoas que não fumam maconha. Bom, pelo menos pessoas que não fumam porque não sentem falta mesmo.
Eu não tenho muitas restrições morais a isso, mas simplesmente não sinto falta, e inclusive acredito que maconha atrapalha um pouco a vida. Sei lá, eu gosto de sempre ter minha consciência intacta... e consigo ter "barato" sem usar drogas. Acho que sair pra caminhar num dia lindo aqui no Lago Norte me dá muito mais barato do que qualquer maconha. Nossa, é muito fácil. Ponho o pé pra fora de casa e, dez passos à frente, já começo a ter arrepios na coluna de tantas sensações boas que tenho. É só um exemplo. O pé nem precisa estar fora de casa...
Sinto-me privilegiada por isso. Mas sei que é uma espécie de esforço pessoal, também. Há anos que cultivo epifanias... =)
O lado ruim de ser assim é que não dá pra esperar encontrar por aí pessoas que compartilhem as epifanias. É muito pessoal, difícil de dividir, ainda mais quando a maioria está ocupada fumando um. Bom, na maior parte do tempo não me importo de ser algo tão individual. Mas às vezes importo-me sim.
As pessoas são muito únicas. Relacionamentos implicam altíssimo grau de boa vontade, desprendimento, humildade e paciência, para valerem a pena. E o mais engraçado é que a maioria dos relacionamentos não têm isso. Vão-se arrastando por aí, baseados em posse, ciúme, conforto, conveniência. Tudo em nome de um sentimento que fica ali meio escondido... É muito esquisito. Queria ir fazer um estágio na comunidade do Burkina Faso em que morava a Sobonfu Somé. Lá NADA é individual. Seria um choque, é óbvio. Provavelmente eu teria um ataque de pânico no aviâo, antes de chegar lá. Mas de repente levar umas pauladas assim seria uma boa... Bem, mas se não estou levando, é porque meu aprendizado é diferente. Podia ter um aprendômetro pra gente saber quanto está DE FATO aprendendo. Ô coisa difícil de medir. Cacete.
Esse grau de controle não existe nem nunca vai existir. Não existe nem mesmo mais ou menos aprendizado. O que existe são convenções. O resto é pum de estrela, como dizem por aí. Hahhaha...
Segundo as convenções de onde nasci e cresci, a individualidade é muito importante. É importante, importante, importantíssima! Não existe UMA pessoa que conheço que não tenha dado cabeçadas na parede por causa de orgulho. É o calcanhar de Aquiles dos homens, mas é uma peça importante no "desenvolvimento" da nossa civilização. Ser civilizado é ser orgulhoso, preservar o senso comum, preservar o senso de individualidade.
Ó céus, como isso é CAROCENTO!
Se tem uma coisa que me dá pânico instantâneamente é perceber que faço parte de algo coletivo e maior, perder as rédeas da minha unidade, individualidade. Toda vez que tenho um "insight" disso, começo a tremer, suar frio, ter taquicardia, enjôo, tontura, perco chão... Que lástima de sentimento de humanidade!
Sentir vontade de virar bicho do mato mas saber que não é possível. Sentir vontade de não ter conflitos, mas saber que não é possível. Santa ansiedade.
Ficar bem, feliz e tranquila mesmo com todo esse fuá. Isso é possível, bem possível. E sem maconha. Mas não agora, daqui a pouco, já já...
Eu não tenho muitas restrições morais a isso, mas simplesmente não sinto falta, e inclusive acredito que maconha atrapalha um pouco a vida. Sei lá, eu gosto de sempre ter minha consciência intacta... e consigo ter "barato" sem usar drogas. Acho que sair pra caminhar num dia lindo aqui no Lago Norte me dá muito mais barato do que qualquer maconha. Nossa, é muito fácil. Ponho o pé pra fora de casa e, dez passos à frente, já começo a ter arrepios na coluna de tantas sensações boas que tenho. É só um exemplo. O pé nem precisa estar fora de casa...
Sinto-me privilegiada por isso. Mas sei que é uma espécie de esforço pessoal, também. Há anos que cultivo epifanias... =)
O lado ruim de ser assim é que não dá pra esperar encontrar por aí pessoas que compartilhem as epifanias. É muito pessoal, difícil de dividir, ainda mais quando a maioria está ocupada fumando um. Bom, na maior parte do tempo não me importo de ser algo tão individual. Mas às vezes importo-me sim.
As pessoas são muito únicas. Relacionamentos implicam altíssimo grau de boa vontade, desprendimento, humildade e paciência, para valerem a pena. E o mais engraçado é que a maioria dos relacionamentos não têm isso. Vão-se arrastando por aí, baseados em posse, ciúme, conforto, conveniência. Tudo em nome de um sentimento que fica ali meio escondido... É muito esquisito. Queria ir fazer um estágio na comunidade do Burkina Faso em que morava a Sobonfu Somé. Lá NADA é individual. Seria um choque, é óbvio. Provavelmente eu teria um ataque de pânico no aviâo, antes de chegar lá. Mas de repente levar umas pauladas assim seria uma boa... Bem, mas se não estou levando, é porque meu aprendizado é diferente. Podia ter um aprendômetro pra gente saber quanto está DE FATO aprendendo. Ô coisa difícil de medir. Cacete.
Esse grau de controle não existe nem nunca vai existir. Não existe nem mesmo mais ou menos aprendizado. O que existe são convenções. O resto é pum de estrela, como dizem por aí. Hahhaha...
Segundo as convenções de onde nasci e cresci, a individualidade é muito importante. É importante, importante, importantíssima! Não existe UMA pessoa que conheço que não tenha dado cabeçadas na parede por causa de orgulho. É o calcanhar de Aquiles dos homens, mas é uma peça importante no "desenvolvimento" da nossa civilização. Ser civilizado é ser orgulhoso, preservar o senso comum, preservar o senso de individualidade.
Ó céus, como isso é CAROCENTO!
Se tem uma coisa que me dá pânico instantâneamente é perceber que faço parte de algo coletivo e maior, perder as rédeas da minha unidade, individualidade. Toda vez que tenho um "insight" disso, começo a tremer, suar frio, ter taquicardia, enjôo, tontura, perco chão... Que lástima de sentimento de humanidade!
Sentir vontade de virar bicho do mato mas saber que não é possível. Sentir vontade de não ter conflitos, mas saber que não é possível. Santa ansiedade.
Ficar bem, feliz e tranquila mesmo com todo esse fuá. Isso é possível, bem possível. E sem maconha. Mas não agora, daqui a pouco, já já...
domingo, 28 de novembro de 2004
Tia do rock - mais um post pessoal, com sua licenca
Dessa vez ninguém pode acusar-me de afastamento por causa de namoro. Eu solteira e mesmo assim não estou dando conta dessas festinhas que acontecem por aí. Tenho tentado, quem me vê por aí sabe. Mas é muita música ruim, muita canseira, muita gente desinteressante. Prefiro sair pra conversar com meus amigos. E se for pra dançar tenho preferido a Samboquê ou algo parecido... Até porque a média de idade e um pouco mais alta... O mundo do rock em Brasilia parece mais a Disney do indie. Precisa de mais "gente grande", de menos pose e mais ar condicionado também. Aquele Space Bar é insuportável. Tou me sentindo uma tia. Ou então sou uma pessoa muito travada que não sabe se divertir. Mas sei que isso é pouco provavel, existem muitas situações diferentes que acho bem mais divertidas. Falar nisso, tou com saudade de cozinhar...
sexta-feira, 19 de novembro de 2004
dez mais cinco dias
ou perto, desce o rio vermelho contínuo. quando para o que está parado não é o rio, mas é um fôlego em movimento, é o pulso da correnteza.
lava-se com sangue, dizem, lave-se com sangue, lave-se com sal.
vinte menos cinco dias ou talvez a metade. o fôlego de mesma duração, o expulso que não tarda ser engolido, movimento inoculado.
lava-se com sangue, dizem, lave-se com sangue, lave-se com sal.
tenho dois peixes, tive três, tenho dez vidas. nada no rio vermelho, nada o outro, repete para ganhar. repete para perder. não perde a correnteza.
nada-se com sangue, vivem, nade-se com sangue, nade-se com sal.
do seco corre nada corre substância, sobe e desce o rio. duas pontas nada encontradas, duas pedras de sal lapidadas. atravessa o rio pra margem, corre ao entremeio, passa pelo meio, passa e nada à vau.
lava-se com sangue, dizem, lave-se com sangue, lave-se com sal.
vinte menos cinco dias ou talvez a metade. o fôlego de mesma duração, o expulso que não tarda ser engolido, movimento inoculado.
lava-se com sangue, dizem, lave-se com sangue, lave-se com sal.
tenho dois peixes, tive três, tenho dez vidas. nada no rio vermelho, nada o outro, repete para ganhar. repete para perder. não perde a correnteza.
nada-se com sangue, vivem, nade-se com sangue, nade-se com sal.
do seco corre nada corre substância, sobe e desce o rio. duas pontas nada encontradas, duas pedras de sal lapidadas. atravessa o rio pra margem, corre ao entremeio, passa pelo meio, passa e nada à vau.
terça-feira, 16 de novembro de 2004
Pesquisando os territorios
Os territorios, na verdade, somos nos. Nos que somos limitrofes, limitadores e delimitados - os territorios sao feitos de fronteiras. So existem em funcao dos outros.
As coisas que nao sao os territorios nos pesquisam, a pesquisa mais pura jamais vista, tao pura que nao podemos saber quase nada sobre ela, visto que delimitamos imediatamente, chegamos ao ponto de delimitar tanto que ja nos referimos "as coisas" e nao a uma coisa so, ou a uma so pesquisadora. Ja pensamos nessa pesquisa como sendo metodica, como tendo um comeco, um meio e um fim (que nos deixa morrendo de medo). Mas os territorios tem a vantagem de poder sempre escolher suas fronteiras (digam o que quiserem) e os nao-territorios sao tao puros que nao podem escolher. Pesquisam e pronto. Nos, os meticulosos territorios, somos cada vez mais apurados em escolher (de novo, digam o que quiserem) e com isso ficamos cada vez mais bonitos!
(texto do meu antigo blog, só pra reaquecer as turbinas)
As coisas que nao sao os territorios nos pesquisam, a pesquisa mais pura jamais vista, tao pura que nao podemos saber quase nada sobre ela, visto que delimitamos imediatamente, chegamos ao ponto de delimitar tanto que ja nos referimos "as coisas" e nao a uma coisa so, ou a uma so pesquisadora. Ja pensamos nessa pesquisa como sendo metodica, como tendo um comeco, um meio e um fim (que nos deixa morrendo de medo). Mas os territorios tem a vantagem de poder sempre escolher suas fronteiras (digam o que quiserem) e os nao-territorios sao tao puros que nao podem escolher. Pesquisam e pronto. Nos, os meticulosos territorios, somos cada vez mais apurados em escolher (de novo, digam o que quiserem) e com isso ficamos cada vez mais bonitos!
(texto do meu antigo blog, só pra reaquecer as turbinas)
quarta-feira, 13 de outubro de 2004
Uma coisa pessoal, muito pessoal
Você funciona como a folha de papel em que escrevo. Me dá ansiedade, não sei por onde começar, as palavras parecem inúteis ou, ao mesmo tempo, poucas. Saem tortas e não se parecem com as minhas palavras. Parecem-se com a minha própria voz insegura ao falar com você. O corpo deste texto é o meu próprio corpo desajeitado, desconfortável, encabulado. Com pouca experiência nessa forma simples e corporal de ver as coisas. Dominado por uma mente excessiva em palavras. Quem me dera elas nascessem na boca, na hora de falar. E que lá dentro fossem como penso que as suas são, potência. Séries e séries de matrizes de prováveis palavras tanto quanto improváveis. Mas é-me cara esta falta de série, só palavradas prestes a cessar, por desajeito, por vergonha infantil, por sinceridade, por um pouco de fingimento em nome de algo fora de tudo o que foi dito. Mas fora nem tanto, algo que é mais invasivo, mas mora nos interstícios. A mente excessiva em palavras busca seu caminho aqui onde não quis que aparecesse. Aqui onde sinto vergonha e penso nas palavras mais do que queria e devia. Mas meus motivos são bons porque estou afinal escrevendo, querendo pouco saber se os motivos são fortes ou suficientes, o importante é que existem. Os graus são sempre em possibilidade infinita, e eu sei da minha ilusão de ter escolhido um grau. Eu mexo com a caneta porque a eternidade, o infinito, disfarçam-se por trás desse movimento. Fazem-me pensar em controle. Quando na verdade não tem nenhum, é só engano de olhos e mãos e distâncias.
domingo, 3 de outubro de 2004
Spiritualized - Ladies & Gentlemen We Are Floating in Space Lyrics
All I want in life�'s a little bit of love
To take the pain away
Getting strong today
A giant step each day
Wise men say
Only fools rush in
Only fools rush in
But I, I can�t help
I can'�t help falling
Falling in love with you
I will love you 'till I die
And I will love you all the time
So please put your sweet hand in mine
And float in space and drift in time
All my time until I die,
We'�ll float in space just you and I
And I will love you 'till I die
And I will love you all the time
So please put your sweet hand in mine
We'�ll float in space just you and I
Wise men say
Only fools rush in
But I can'�t help
Falling in love with you
(só pra deixar claro: não, eu não estou apaixonada nem com dor de cotovelo, mas gosto demais dessa música assim mesmo - o que importa não é a anedota, certo?)
To take the pain away
Getting strong today
A giant step each day
Wise men say
Only fools rush in
Only fools rush in
But I, I can�t help
I can'�t help falling
Falling in love with you
I will love you 'till I die
And I will love you all the time
So please put your sweet hand in mine
And float in space and drift in time
All my time until I die,
We'�ll float in space just you and I
And I will love you 'till I die
And I will love you all the time
So please put your sweet hand in mine
We'�ll float in space just you and I
Wise men say
Only fools rush in
But I can'�t help
Falling in love with you
(só pra deixar claro: não, eu não estou apaixonada nem com dor de cotovelo, mas gosto demais dessa música assim mesmo - o que importa não é a anedota, certo?)
quarta-feira, 29 de setembro de 2004
Tsé-tsé, Morfeu, maçã envenenada, narcolepsia, Rainha Mabe...
Dormi o dia inteiro hoje. E mesmo assim não fiquei com sensação de mofada... de que o dia não passou. Ele passou, sim. Mas não consigo me lembrar se sonhei com o dia. Só sei que senti muito sono, o dia todo. Devo ter dormido umas 15 horas.
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